SEJA BEM VINDO

08/01/2017

PERDA DE JESUS NO TEMPLO

perda

Remansit puer Iesus in Ierusalem, et non cognoverunt parentes eius — “O Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais se apercebessem” (Luc. 2, 43).
Sumário. Quando Jesus chegou à idade de doze anos, José e Maria levaram-No consigo a Jerusalém na solenidade de Páscoa. Por ocasião da volta, porém, Jesus ficou no templo, sem que seus pais se apercebessem, e só foi achado ao fim de três dias de busca e de lágrimas. Aprendamos deste mistério que devemos deixar tudo, parentes e amigos, quando se trata de promover a glória de Deus.
I. Escreve São Lucas que Maria e José iam todos os anos à Jerusalém na solenidade de Páscoa, e levavam consigo o Menino Jesus. Era costume entre os Israelitas, conforme diz o venerável Beda, que durante a viagem ao templo (ao menos na volta) os homens andassem separados das mulheres, ao passo que os meninos acompanhavam à vontade o pai ou a mãe. O Redentor, que então tinha doze anos, depois da solenidade, ficou três dias em Jerusalém. A Virgem-Mãe pensava que Jesus estava com José e este julgava-O na companhia de Maria. — O santo Menino empregou aqueles três dias em promover a glória de seu Eterno Pai com jejuns, vigílias e orações e em assistir aos sacrifícios que eram outras tantas figuras do seu próprio sacrifício da Cruz. Para ter algum alimento, diz São Bernardo, foi-lhe mister pedi-lo por esmola, e para descansar não tinha outro leito senão a terra nua.
Quando, à noite, Maria e José se encontraram na pousada, não achavam o seu Jesus, e com suma aflição se puseram a procurá-Lo entre os parentes e amigos. Voltando depois a Jerusalém, acharam-No finalmente, ao terceiro dia, no templo, disputando entre os doutores, que pasmados admiravam as perguntas e respostas daquele menino extraordinário. — Nesta terra não há pena que se possa comparar àquela que uma alma, desejosa de amar a Jesus, experimenta quando teme que por qualquer culpa d’Ele se tenha afastado. Foi esta a dor exatamente de Maria e José naqueles dias, porquanto a sua humildade, diz o devoto Lanspergio, fazia-lhes crer que se tornaram indignos de ter sob sua guarda um tão grande tesouro. É por isso que Maria, encontrando o Filho, a fim de Lhe exprimir a sua dor, disse: “Filho, porque fizeste assim conosco? Sabe que teu pai e eu te andamos buscando cheios de aflição.” E Jesus respondeu: “Porque é que me buscáveis? Não sabeis que importa ocupar-me das coisas de meu Pai?”
Tiremos do presente mistério dois ensinos. Primeiro, que devemos abandonar tudo, parentes e amigos, quando se trata de promover a glória de Deus. Segundo, que Deus se deixa achar por quem o busca. Bonus est Dominis animae quaerenti illum (1) — “O Senhor é bom para a alma que o busca.
II. Ó Maria, vós chorais por terdes perdido vosso Filho uns poucos dias. Afastou-se Ele da vossa vida, mas não do vosso coração. Não vos lembrais que o amor tão puro com que O amais, O faz estreitamente unido convosco? Vós bem sabeis que quem ama a Deus, não pode deixar de ser amado de Deus, que diz: Ego diligentes me diligo (2) — “Eu amo os que me amam”. Porque, pois, temeis? Porque chorais? Deixai que eu chore, que tantas vezes e por minha culpa tenho perdido meu Deus, expulsando-O da minha alma.
Ah! Meu Jesus, como pude ofender-Vos de olhos abertos, sabendo que pelo pecado Vos ia perder? Mas não quereis que o coração que Vos busca desespere, senão que se regozije: Laetetur cor quaerentium Dominum (3). Se em outros tempos Vos abandonei, ó Amor meu, agora Vos busco, e não quero senão a Vós. Para possuir a vossa graça, renuncio a todos os bens e prazeres da terra, renuncio até a própria vida. Vós dissestes que amais a quem Vos ama: amo-Vos, e amai-me Vós também. Estimo mais a posse do vosso amor, do que o domínio sobre o mundo inteiro. Jesus meu, não quero mais perder-Vos; mas não posso confiar em mim mesmo; confio tão somente em Vós. Por piedade! Uni-me estreitamente convosco e não permitais que ainda venha separar-me de Vós. — Ó Maria, vós me fizestes achar meu Deus, que tinha perdido há tempos; obtende-me agora a santa perseverança.
“E Vós, Pai Eterno, que fizestes reluzir sabedoria celestial na humilde puerícia de vosso divino Filho, concedei-nos que nós também, cheios do espírito de prudência, mereçamos, pela sincera humildade, a vossa complacência. Fazei-o pelos merecimentos de Jesus Cristo.” (4)
  1. Thr 3, 25.
    2. Prov. 8, 17.
    3. Ps. 104, 3.
    4. Or. Eccl.
    Meditações para todos os dias e festas do ano – Tomo I – Santo Afonso
  2. http://catolicosribeiraopreto.com/perda-de-jesus-no-templo/#more-7838

07/01/2017

QUAIS OS DIAS QUE OS FIÉIS DEVEM SANTIFICAR?


Ensina-nos o primeiro mandamento da Igreja:

Ouvir Missa inteira aos domingos e festas de guarda.(Catecismo Maior de São Pio X, Questão 474)

O primeiro preceito da Igreja: ‘ouvir Missa inteira nos domingos e festas de guarda’ manda-nos assistir com devoção à Santa Missa nos domingos e nas outras festas de preceito.(Catecismo Maior de São Pio X, Questão 475)

Cumprimos esta obrigação santificando o dia, deixando os trabalhos não essenciais, e assistindo com piedade a Santa Missa, em caráter obrigatório. Peca-se mortalmente quem não o faz. Evidentemente que não sendo possível assistir à Santa Missa por algum motivo grave, fica-se dispensado (cf. Catecismo da Igreja Católica, § 2181).

Durante o domingo e os outros dias de festa de preceito, os fiéis se absterão de se entregar aos trabalhos ou atividades que impedem o culto devido a Deus, a alegria própria ao dia do Senhor, a prática das obras de misericórdia e o descanso conveniente do espírito e do corpo. As necessidades familiares ou uma grande utilidade social são motivos legítimos para dispensa do preceito do repouso dominical. Os fiéis cuidarão para que dispensas legítimas não acabem introduzindo hábitos prejudiciais à religião, à vida familiar e à saúde. O amor da verdade busca o santo ócio, a necessidade do amor acolhe o trabalho justo.
.

Os cristãos que dispõem de lazer devem lembrar-se de seus irmãos que têm as mesmas necessidades e os mesmos direito, mas não podem repousar por causa da pobreza e da miséria. O domingo é tradicionalmente consagrado pela piedade cristã às boas obras e aos humildes serviços de que carecem os doentes, os enfermos, os idosos. Os cristãos santificarão ainda o domingo dispensando à sua família e aos parentes o tempo e a atenção que dificilmente podem dispensar nos outros dias da semana. O domingo é um tempo de reflexão, de silêncio, de cultura e de meditação, que favorecem o crescimento da vida interior cristã.

Santificar os domingos e dias de festa exige um esforço o comum. Cada cristão deve evitar impor sem necessidades a outrem o que o impediria de guardar o dia do Senhor. Quando os costumes (esporte, restaurantes etc.) e as necessidades sociais (serviços públicos etc.) exigem de alguns um trabalho dominical, cada um assuma a responsabilidade de encontrar um tempo suficiente de lazer. Os fiéis cuidarão, com temperança e caridade, de evitar os excessos e violências causadas às vezes pelas diversões de massa. Apesar das limitações econômicas, os poderes públicos cuidarão de assegurar aos cidadãos um tempo destinado ao repouso e ao culto divino. Os patrões têm uma obrigação análoga com respeito a seus empregados. (Catecismo da Igreja Católica, § 2185-2187)

Desta maneira, a Igreja determina e facilita o cumprimento do terceiro mandamento da lei de Deus. Além disso, pedagogicamente, nos ensina a importância da Missa, para que participemos dela com maior freqüência.

Em caso de motivo grave que impossibilite o fiel de assistir à Santa Missa, diz o Código de Direito Canônico:

Por falta de ministro sagrado ou por outra grave causa, se a participação na celebração eucarística se tornar impossível, recomenda-se vivamente que os fiéis participem da liturgia da Palavra, se houver, na igreja paroquial ou em outro lugar sagrado, celebrada de acordo com as prescrições do Bispo diocesano; ou então se dediquem a oração por tempo conveniente, pessoalmente ou em família, ou em grupos de família de acordo com a oportunidade. (Cân. 1248 § 2)

OS DIAS DE PRECEITO

No Brasil, para facilitar o cumprimento do preceito, alguns dias santos foram transferidos, com a aprovação da Santa Sé, para o domingo seguinte (cf. Código de Direito Canônico, Cân. 1246 § 2). Além dos Domingos, os dias de preceito (ou guarda) são:

- NATAL DE N. S. JESUS CRISTO (25 DE DEZEMBRO, FERIADO);

- FESTA DA EPIFANIA (6 DE JANEIRO, TRANSFERIDO PARA ODOMINGO ENTRE 2 E 8 DE JANEIRO);

- ASCENSÃO DE N. S. JESUS CRISTO (12 DE MAIO,TRANSFERIDO PARA O DOMINGO SEGUINTE);

- CORPUS CHRISTI (1ª QUINTA-FEIRA APÓS O DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE, FERIADO);

- SANTA MARIA, MÃE DE DEUS (01/JANEIRO, COINCIDE COM FERIADO);

- ASSUNÇÃO DE N. SENHORA (15 DE AGOSTO, TRANSFERIDO PARA O DOMINGO SEGUINTE);

- IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA (08 DE DEZEMBRO, NÃO É FERIADO); 

- SÃO JOSÉ (19 DE MARÇO, NO BRASIL, POR AUTORIZAÇÃO DA SANTA SÉ, A SOLENIDADE DE SÃO JOSÉ NÃO É DE PRECEITO); 

- SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO (29 DE JUNHO,TRANSFERIDO PARA O DOMINGO SEGUINTE);

- TODOS OS SANTOS (1º DE NOVEMBRO, TRANSFERIDO PARA O DOMINGO SEGUINTE);

Como vimos, a Epifania, Ascensão, Assunção, São Pedro e São Paulo, e Todos os Santos, são transferidas para o Domingo. Nesse sentido, cumprimos o preceito no próprio Domingo, o que é bem mais fácil. Em dias de semana, porque não foram transferidas no Brasil, restam o Natal (feriado), o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (feriado), a Imaculada Conceição (não é feriado), e a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus (1º de janeiro, coincide com um feriado).

Observe que o único dia que não cai em feriado ou foi transferido para o domingo é IMACULADA CONCEIÇÃO, dia 08 de dezembro.

O CUMPRIMENTO DOS PRECEITOS

Como expõe o Código de Direito Canônico, “satisfaz ao preceito de participar da missa quem assiste à missa em qualquer lugar onde é celebrada em rito católico, no próprio dia de festa ou na tarde do dia anterior (Cân. 1248 § 1).

Em outras palavras, importa ir a qualquer Missa, celebrada em rito católico, no período que vai das 12:00:01 da tarde do dia anterior (da véspera) às 23:59:59 do próprio dia de guarda.

EXEMPLO:

Dia 25/12 - Natal (Sábado) – PRECEITO

Dia 26/12 - (Domingo) – PRECEITO

- Cumprimento de preceito de Natal: Da tarde do dia 24 até às 23:59h de 25/12/2010

- Cumprimento de preceito dominical: Da tarde do dia 25/12/2010 até às 23:59h de 26/12/2010.
.
Há dois dias de preceito em questão, portanto, será necessário assistir a duas Missas: uma se assiste para santificar a festa, outra o domingo. NUNCA se pode satisfazer os dois preceitos com uma só missa.

Esquematizando, em caso de dois dias consecutivos de preceito (Uma dia santo que caia no sábado e o domingo após, por exemplo), cumpre validamente ambos os preceitos quem:

1) assiste uma Missa na tarde da véspera do primeiro dia e outra na tarde do primeiro dia;

2) assiste uma Missa na tarde da véspera do primeiro dia outra no segundo dia em qualquer horário;

3) assiste uma Missa no primeiro dia em qualquer horário e outra na tarde do primeiro dia;

4) assiste uma no primeiro dia em qualquer horário e outra no segundo dia em qualquer horário;

Em contrapartida, não cumpre o preceito de ambas quem:

1) assiste ambas as Missas na tarde da véspera do primeiro dia (deficiência da segunda);

2) assiste uma Missa na tarde da véspera do primeiro dia e outra na manhã do primeiro dia (deficiência da segunda);

3) assiste ambas as Missas na manhã do primeiro dia (deficiência da segunda);

4) assiste a uma única Missa na tarde do primeiro dia (deficiência implícita de uma delas);

5) assiste a ambas as Missas no segundo dia (deficiência da primeira);
.
Dúvida: eu fui a uma Missa no sábado à tarde desejando cumprir o preceito do domingo, mas a Liturgia da Missa não foi a do domingo. Neste caso, eu cumpri o preceito dominical?

Resposta: Sim. Embora o ideal seja que se assista à Missa cujo formulário litúrgico corresponda à Festa preceituada, isto não é obrigatório. A Missa é sempre Missa, e ela se torna obrigatória não pela liturgia que se celebra, mas pela data e horário em que se celebra, pois dentro daquele período somos chamados a santificar o dia.

Para cumprir o preceito, a Lei prescreve a assistência da Missa em “Rito Católico”. Ora os ritos são diferentes entre si. Isso significa que o calendário litúrgico também pode ser diferente. Exemplo clássico ocorre no dia 1º de janeiro. É preceito de Santa Maria Mãe de Deus, mas no calendário tridentino é missa da Circuncisão do Senhor. Ora, assistir a missa tridentina no dia 1º de janeiro cumpre o preceito! Logo, a Liturgia não é relevante. O que é relevante é o sacrifício, que é o mesmo independentemente da Liturgia. O que é preciso é a missa católica!

.

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

QUAIS OS DIAS QUE OS FIÉIS DEVEM SANTIFICAR?

Nelson Sato Kodama 01/2011 Tradição em Foco com Roma.

Grupo Tradição - Vaticano II acesse:


CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS: 

tradicaoemfococomroma@hotmail.com

Francisco, um homem feito oração

francisco_03

Francisco vive e se move em Deus. Isto quer dizer que vive da oração.
A oração pertencia tão plenamente à natureza do santo que se poderia dizer: a oração era sua essência. Celano se atreve a dizer: “Quando Francisco orava, todo o seu ser era oração” (2Celano 95).
Sua oração era muito mais louvor do que pedido, tanto assim que Celano pôde resumir todo o processo de sua conversão em forma de oração: “Deus colocou na boca do pródigo Francisco o freio do louvor” (1Celano,2).
Este clamor de adoração a Deus foi a sua salvação. Também ele cai, como mais tarde Lutero, em angústias e terror. Seu “refúgio” se torna então a oração que o faz triunfar sobre os assaltos do inimigo: ele se ajoelhava em adoração. Ao final da Regra não-bulada encontra-se uma oração. A ideia central está na quarta frase: “Todos nós somos pobres pecadores”. E assim mesmo, a forma de oração de Francisco é sobretudo de ação de graças, seja diretamente ou por intermédio de Maria ou dos santos. Nesta atitude, amplamente aberta, para acima e para fora, se rompe a estreiteza do individual e se supera o perigo de uma concentração subjetivista: louvor, ação de graças e adoração no amor.
A isso corresponde a forma fundamental de sua oração: não era o desenrolar de uma série ordenada e lógica de pensamentos. Era antes feita de breves invocações, de balbuciante louvor ao Altíssimo num crescendo de superlativos justapostos: louvor, admiração, glorificação…
Encontramos esta forma precisamente nas passagens que jorram mais espontaneamente na alma do santo: no Cântico do Irmão Sol, no Te Deum para Frei Leão, ou nos Louvores ou Sanctus que Francisco cantou com Frei Leão. Aí se encontra esta oração típica: “Onipotente, Santíssimo, Altíssimo e Sumo Deus. Tu és o Sumo Bem, todo o Bem. Bem universal. Tu és o único Bem! A ti todo o louvor e toda glória, toda ação de graças, toda honra, toda bênção, todo bem. Sim, tudo! Amém”.
Francisco de Assis, O santo incomparável, Vozes/CEFEPAL, p. 45-46
http://www.franciscanos.org.br/?p=95598

A ignorância invencível e a salvação



Sem Roma, totalmente frustada por ver a FSSPX caminhando em direção à Barca de Pedro, não mais pode apoiar-se na mesma para justificar seu "apostolado". Aliás, agora são Sem Roma & FSSPX.
Em uma tentativa vã que só convenceu os organizadores da idéia, quiseram mostrar uma suposta contradição em uma frase do Pe Paulo Ricardo com o ensino católico no folder acima.

Iremos mostrar, nesse artigo, que as palavras do Reverendíssimo padre, que tanto bem faz a Igreja no Brasil na formação sólida tradicional entre leigos e seminaristas, estão em perfeita harmonia com o que o Magistério sempre ensinou.

Obviamente que o Padre Paulo fala dos que estão em ignorância invencível. Ora, se diz que eles têm em mente um simulacro, um boneco, ao invés da Igreja Católica, é claro que faz referência aos que não pecam mortalmente por isso. O que ele falou sempre foi consenso entre os teólogos.

O grande teólogo Penido diz o seguinte sobre isso: 
“Melhor seria cognominá-los cristãos dissidentes. Herege ou cismático, a falar com rigor, é quem abraça o erro ou se revolta contra a autoridade, com obstinação, pecando assim gravemente. Não negamos que os possa haver, no seio das comunidades dissidentes: alguns veem a verdade do catolicismo, mas não se rendem. No dissidente de boa fé, porém, existe desejo sincero de aderir à revelação divina, de obedecer à Igreja, unido não raro à mais edificante vida cristão, como se notava no futuro Cardeal Newman, durante sua carreira anglicana, e como averiguam dia a dia os que privam com ortodoxos, ou protestantes fervorosos. Nesses, a heresia ou o cisma não são pessoais, são por assim dizer hereditários, e ignorância invencível impediu-os de libertarem-se do erro. Não rejeitam o catolicismo real, mas apenas uma caricatura que lhes foi apresentada, pelo seu meio religioso, como sendo o catolicismo autêntico. E falece-lhes a possibilidade de dissipar o mal-entendido.”(Iniciação Teológica, v I, O Mistério da Igreja, 1956, Pág. 180)

O Papa Pio IX: 
“os que laboram em ignorância invencível de nossa santíssima religião, se eles se esforçam para seguir a lei natural e os preceitos divinamente gravados em todos os corações, se estão prontos a obedecer a Deus e levam vida reta e honesta, podem, pela virtude da luz e graças divinas, entrar na vida eterna. Com efeito, Deus que vê, sonda e conhece todas as mentes, inclinações, pensamentos e disposições dos homens, jamais permitiria, em sua soberana bondade e clemência, que um homem não responsável de culpa voluntária sofresse o castigo de penas eternas.”(Quanto Conficiamur Moerore) [ Ref: Nelson Monteiro ]

Mas quem se encontrasse, sem culpa sua, fora da Igreja poderia salvar-se?
Quem, encontrando-se sem culpa sua - quer dizer, em boa-fé - fora da Igreja, tivesse recebido o batismo, ou tivesse desejo, ao menos implícito, de o receber, e além disso procurasse sinceramente a verdade e cumprisse a vontade de Deus o melhor que pudesse, ainda que separado do corpo da Igreja, estaria unido à alma d’Ela, e portanto no caminho da salvação. Catecismo de São Pio X - 170.

Talvez seja interessante mostrar-lhe o que o Catecismo de João Paulo II (oficialmente chamado "Catecismo da Igreja Católica") ensina sobre "fora da Igreja não há salvação":
I.7.1 "Fora da Igreja nenhuma salvação"

§846 Como entender esta afirmação, com freqüência repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é seu Corpo:

Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único mediador e caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente em seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do batismo, ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Batismo, como que por uma porta. Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus por meio de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar.

§847 Esta afirmação não visa àqueles que, sem culpa, desconhecem Cristo e sua Igreja:

"Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consciência podem conseguir a salvação eterna".

§848 "Deus pode, por caminhos dele conhecidos, levar à fé todos os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho. Pois 'sem a fé é impossível agradar-lhe' Mesmo assim, cabe à Igreja o dever e também o direito sagrado de evangelizar" todos os homens.


É interessante que o Catecismo do Concílio Vaticano II é explícito sobre a necessidade da fé para a justificação, repetindo as palavras da Escritura: Pois 'sem a fé é impossível agradar-lhe'.

É necessário buscar a Deus com o desejo, ao menos, implícito de querer a sua vontade como a vontade de Deus. Querer que alguém se salve por suas obras naturais é a heresia do pelagianismo.

A fé pode ignorar certos mistérios como a Trindade e a Incarnação, mas nunca a existência de Deus e que este pune os maus e recompensa os bons (Hebreus XI, 6).
"Se o homem sofre de ignorância invencível, Deus aceita um voto implícito, assim chamado porque contido naquela boa disposição da alma com a qual o homem quer a sua vontade conforme à vontade de Deus."

"Exige-se, realmente, que o desejo mediante o qual alguém é ordenado à Igreja seja moldado pela perfeita caridade; e o voto implícito não poderá ter efeito se o homem não tiver a fé sobrenatural"
 (Carta do Santo Ofício, de 1949).

Para obrar de maneira sobrenatural, é necessário o amor a Deus, ainda que este não seja suscitado de modo atual em cada ação, bastando um ato de caridade precedente em que o justo, junto com todas as suas ações, se abandona a Deus.

Não é todo mundo que está em ignorância invencível que se salva. Mas somente aqueles que seguem a Lei Natural.

Não estariam algumas versões mais populares da salvação em ignorância invencível sendo ingênuas demais com relação à realidade da vida humana?

A grande maioria dos seres humanos, especialmente fora da civilização ocidental moderna, acredita naquilo que é a norma em sua sociedade. Se tiver nascido em uma cultura na qual se crê em uma divindade justiceira, crerá nela. Se, por outro lado, nasce numa cultura, digamos, que creia que todos evoluirão rumo à salvação, ou ainda que não haja Deus e que o homem volta ao nada de onde veio, crerá nisso.

O mesmo vale para convicções morais.

Fora aquela pequena parcela da população que pode se dedicar ativamente à atividade intelectual, aqueles que nascem numa cultura na qual um dos requisitos objetivos mínimos à salvação não está presente estão condenados (de acordo com a teoria).

Apenas aqueles que têm à sua disposição o lazer e os recursos intelectuais para a filosofia nessa cultura poderiam se salvar. De um homem comum seria absolutamente não-razoável esperar o nível de desenvolvimento intelectual necessário para que ele chegasse às crenças e princípios morais corretos, indo contra todo o consenso do resto da sociedade.

Pode um camponês pobre que vive nas redondezas de um monastério budista chegar à conclusão do Deus justiceiro por conta própria? Salvo iluminação divina direta, parece que não.

Por isso, não seria mais correto afirmar, quanto à salvação sob ignorância invencível, que ela depende da culpabilidade individual quanto ao desconhecimento das verdades de Fé (e dos preâmbulos a essas verdades) e da honestidade da vontade em agir de acordo com aquelas poucas verdades que o intelecto conhece?

Quanto ao caráter sacramental/carismático da natureza, parece-me que alguns separam o conhecimento da teologia do conhecimento intuitivo (ou talvez místico?) de Deus. Aqui discordamos: mesmo a mística precisa estar informada pela teologia correta. O conhecimento racional e discursivo tem limitações, mas não só não se opõe ao misticismo como é necessário para que dele advenham bons frutos e "intuições" corretas.

Quanto às noções morais gravadas no coração, não há qualquer dúvida de que elas dependem necessariamente da sociedade para se atualizarem no intelecto humano.

Os meninos criados por lobos não tinham nenhum princípio moral em suas mentes; pelo contrário, a mente deles não tinha sequer chegado à racionalidade que é de sua essência.

Para passar da potência ao ato é necessário alguma causa que exista em ato. Para que o homem conheça o que é certo e o que é errado, para que seu coração lho indique como agir, para que sua consciência alerte-o quando age mal, é necessário que a sociedade ao seu redor ou já cultive esses valores ou ao menos dê-lhe o mínimo para desenvolvê-los.

Os bons sentimentos, as dores da consciência, o remorso, o arrependimento, são todos efeitos da existência em sociedade, e não a causa dela.

Já existem, é claro, em potência em todo ser humano. Mas para passar dela ao ato, é necessária a cooperação social.

É possível experiências místicas positivas sem grandes conhecimentos detalhados de teologia ou filosofia. Mas a experiência sempre tem que estar associada ao uso correto da razão, mesmo que num plano ainda simples.

O índio pode ter tido uma experiência mística (mas talvez apenas psicológica). Mas parece certo que o intelecto dele apreendeu (racionalmente) uma verdade: Deus é o nosso criador. E seu aproveitamento da experiência foi tão grande quanto esse conhecimento racional permitiu.

É necessário, no entanto, distinguir entre o bem natural e o bem sobrenatural; entre o mérito natural e o mérito sobrenatural.

O mérito natural não é suficiente para justificar-nos diante do Altíssimo. Todavia, a salvação das pessoas pela Lei Natural e sob ignorância invencível é uma afirmação infalível da Igreja.

Pio IX:
"E aqui, queridos Filhos e Veneráveis Irmãos, é preciso recordar e repreender novamente o gravíssimo erro em que se acham miseravelmente alguns católicos, ao opinar que homens que vivem no erro e alheios à verdadeira fé e à unidade da católica possam chegar à eterna salvação. O que certamente se opõe em sumo grau à doutrina católica.

Coisa notória é para Nós e para Vós que aqueles que sofrem de ignorância invencível acerca de nossa santíssima religião, que cuidadosamente guardam a lei natural e seus preceitos, esculpidos por Deus nos corações de todos e que estão dispostos a obedecer a Deus e levam vida honesta e reta, podem conseguir a vida eterna, pela operação da virtude da luz divina e da graça; pois Deus, que manifestamente vê, esquadrinha e sabe a mente, ânimo, pensamentos e costumes de todos, não consente, de modo algum, conforme sua suma bondade e clemência, que ninguém seja castigado com eternos suplícios, se não é réu de culpa voluntária.

Porém, bem conhecido é também o dogma católico, a saber, que ninguém pode salvar-se fora da Igreja Católica, e que os contumazes contra a autoridade e definições da mesma Igreja, e os pertinazmente divididos da unidade da mesma Igreja e do Romano Pontífice, sucessor de Pedro, 'a quem foi encomendada pelo Salvador a guarda da vinha', não podem alcançar a eterna salvação" (Quanto Confficiamur Moerore, Denzinger, 1677).


Os teólogos ensinam que as diversas proposições da fé cristã se compendiam em dois artigos, os quais contém implicitamente todos os dados da Revelação. São eles:

1)Deus existe;

2)É o Juiz Supremo que assinala a cada homem a merecida recompensa.

De maneira simples: a existência e a providência salvífica de Deus.

Professar esses dois artigos será possuir o mínimo de fé com o qual, na impossibilidade de se obter ulterior instrução religiosa, se pode agradar a Deus e chegar até Ele. Reciprocamente, sem assentimento a essas duas proposições não pode haver acesso a Deus nem salvação eterna.

Então, embora Deus nem sempre proporcione a todos o conhecimento pleno do Evangelho, nunca deixará de colocar diante do indivíduo essas duas verdades. Aqui é que podemos fazer uma combinação do desenvolvimento da reflexão teológica sobre o tema com a posição adotada na Alta Idade Média, pois a toda pessoa que chega à idade da razão, o Senhor, por uma iluminação interna, sobrenatural, dá a conhecer que Deus existe e exerce uma providência salvífica, recompensando a criatura que lhe seja fiel. Veja, não se está negando a existência da graça sobrenatural que deve acompanhar o cumprimento da Lei Natural, pois a bem-aventurança sobrenatural só pode vir de uma luz sobrenatural (não há limbo de adultos – adultos no sentido teológico do termo), mas se está dizendo que ela não implica em saber coisas com a existência da Trindade.

Uma má interpretação do dogma “fora da Igreja não há salvação”:

Quando o mentor de “Deus Revelans”, o Padre Leonard Feeney começou com essa exegese tresloucada sobre o citado dogma, o Santo Ofício, em agosto de 1949, escreveu o seguinte (o negrito é meu) para Revmo. Sr. Arcebispo de Boston (EUA):
“Entre os mandamentos de Cristo não é de pouca importância aquele que preceitua nos incorporarmos de Batismo ao Corpo Místico, que é a Igreja, e prestemos nossa adesão a Cristo e ao Seu Vigário, (Vigário) pelo qual o próprio Cristo na Terra governa, de modo visível, a Igreja.
Por conseguinte, não se salvará quem, consciente de que a Igreja foi divinamente instituída por Cristo, não obstante se recuse a se lhe submeter e denegue obediência ao Romano Pontífice, Vigário de Cristo na Terra.
Todavia... para que alguém possa obter a salvação eterna, não se requer sempre que seja atualmente incorporado à Igreja como membro, mas é necessário, ao menos, que lhe esteja unido por desejo e voto.

Este desejo, porém, não deve ser sempre explícito, como ele o é nos catecúmenos. Dado que o homem esteja envolvido em ignorância invencível, Deus aceita igualmente o desejo implícito, o qual é assim chamado por estar incluído naquelas boas disposições de alma que levam alguém a querer conformar sua vontade com a vontade de Deus.
Estas verdades são claramente ensinadas na Carta Dogmática ‘A Respeito do Corpo Místico de Jesus Cristo’, publicada pelo Sumo Pontífice o Papa Pio XII aos 29 de junho de 1943 (A.A.S. XXXV 1943 193ss). 
No fim dessa Encíclica (o Sumo Pontífice), movido de profundo afeto, convida à unidade os que não pertencem ao Corpo da Igreja Católica; menciona estão ‘os que por certo e inconsciente desejo e almejo estão voltados para o Corpo Místico do Redentor’; estes tais, Sua Santidade de modo nenhum os exclui da salvação eterna;afirma, porém, que se acham em condições ‘nas quais não podem estar certos de sua salvação eterna... visto permanecerem privados dos muitos dons e auxílios celestiais dos quais somente na Igreja Católica se pode usufruir’ (A.A.S., 1.c. 243).

Com essas sábias palavras tanto reprova aqueles que excluem da salvação eterna os que, por desejo implícito apenas, estão unidos à Igreja, como rejeita aqueles que falsamente asseveram que os homens podem ser salvos tão bem numa religião como em qualquer outra
 (cf. Pio IX, Alocução ‘Singulari quadram’, Dz 1646ss; Encíclica ‘Quanto conficiamur moere’, Dz 1677).
Não se pense, porém, que basta à salvação um desejo qualquer de entrar na Igreja. Com efeito, é preciso que o desejo com o qual alguém tenda à Igreja, seja animado pela caridade perfeita; o desejo implícito não produz efeito a não ser que o homem tenha fé sobrenatural: ‘Aquele que se aproxima de Deus, deve crer que Deus existe e é Remunerador daqueles que O procuram’ (Heb. 11, 6). O Concílio de Trento declara: ‘A fé é o início da salvação dos homens, o fundamento e a raiz de toda justificação; sem ela é impossível agradar a Deus e chegar ao consórcio dos filhos de Deus’ (Dz 801).” 

á observamos que Deus revela sobrenaturalmente as duas verdades básicas para a salvação (existência e providência salvífica de Deus), mas falta refletir sobre como isso é feito.

É lícito conjecturar que tal processo assuma formas secretas e múltiplas. Com efeito, o Senhor pode utilizar agentes intermediários (ou pessoas ou seres inanimados; uma conversa, um escrito ou uma figura, por exemplo) a fim de suscitar as duas noções. Além disso, pode iluminar interiormente a inteligência.

Essa última maneira, pode, por sua vez, se concretizar numa espécie de intuição sobrenatural, onde as noções básicas são propostas para que a inteligência as atinja diretamente, ou o Senhor se serve de um tipo de revelação ainda mais simples, a solicitação de optar contra ou a favor de algum bem humano honesto, ou seja, fazer o bem e evitar o mal(princípio básico da Lei Natural).

Certamente a medida do esforço necessário varia para cada um.

Precisa um camponês siberiano sair à procura dos argumentos pró e contra o "Filioque" e à posição real dos Santos Padres quanto ao primado de Pedro mesmo que isso implique abandonar sua casa e ir viver na cidade? Parece que não.

E um bispo católico que crê que a ressurreição de Jesus Cristo tenha sido provavelmente apenas uma história mítica, mas não real de fato? Esse parece que tem o dever de pesquisar bastante sobre o assunto.

Deus cobra de cada um de acordo com o que cada um recebeu.

É impossível para nós conhecer a consciência dos homens. O fato é que até mesmo o camponês siberiano teria como chegar a verdade, mas isso requeriria um esforço tal que, dado o conhecimento atual dele, não parece que renderá frutos.

Também um índio americano pré-Colombo poderia construir um barco e procurar um povo que conhecesse uma religião comprovadamente verdadeira e superior à sua. Isso era possível, e nenhum índio o fez. São culpados por isso? Obviamente que não.

Podemos tratar de casos hipotéticos e fazer afirmações condicionais. Mas como não conhecemos o estado subjetivo, a consciência, de cada um, é impossível dizer se são culpados ou não (culpados mortalmente).

O fato é que não podemos afirmar de ninguém que, se continuar no estado em que está, irá com toda certeza para o Inferno ou para o Céu. Mas sabemos quais as condições para ir para um ou outro.

Vejamos o que o conceituado Manual de Teologia Dogmática de Ludwig Ott (Barcelona, Editorial Herder, 1960) diz sobre o assunto:
“A necessidade de pertencer à Igreja não é unicamente de preceito, mas também de meio, como indica claramente a comparação com a Arca, que era o único meio de escapar da catástrofe do dilúvio universal. Mas a necessidade de meio não é absoluta, apenas hipotética. Em circunstâncias especiais, como no caso de ignorância invencível ou de impossibilidade, a pertença atual na Igreja pode ser substituída pela desejo da mesma (votum). Não é necessário que esse desejo seja explícito, senão que possa traduzir-se numa disposição moral para cumprir fielmente a vontade de Deus (votum implicitum). Desta maneira, podem assim mesmo alcançar a salvação os que se acham fora da Igreja católica.
Cristo ordenou que todos os homens pertencessem a Igreja, pois a fundou como uma instituição necessária para se alcançar a salvação. Ele revistiu os apóstolos de sua autoridade, lhes deu o encargo de ensinar e batizar todas as nações, fazendo depender a salvação eterna de que essas quisessem receber sua doutrina e serem batizadas (...) Todos aqueles que com ignorância inculpável desconhecem a Igreja de Cristo, mas estão prontos para obedecer de pronto aos mandamentos da vontade divina, não são condenados, como se deduz da justiça divina e da universalidade da vontade salvífica de Deus, da qual existem claros testemunhos na Escritura (...)” 

Só lembro que essas pessoas que estão nos casos citados só estão fora da Igreja "fisicamente", mas estão nela espiritualmente, ou seja, estão nela.

Quem está em ignorância invencível nos casos em que pode haver salvação pertence espiritualmente à Igreja. Além disso, vale notar que 
um dogma só trata daquilo que é essencial, não de todas as questões anexas; veja o exemplo do dogma da Assunção de Nossa Senhora, nele está afirmada a verdade da assunção, mas, ao contrário do que muitos pensam (devido a uma exegese falha do documento de proclamação), não está afirmada ou negada a morte de Maria (esse é um ponto acidental).

Santo Tomás diz que, se o homem fizer tudo o que estiver ao seu alcance (leia-se, cooperar com a primeira graça atual e com as graças que dela são derivadas), Deus lhe revelará o que é necessário crer para se salvar, seja por inspirações interiores, seja enviando-lhe um pregador da fé (que é mais comum que seja um homem). A citação abaixo é segundo a Enciclopédia Católica:
"É ensinamento comum que, se um homem nascido entre as nações bárbaras e infiéis faz realmente o que está a seu alcance, Deus lhe revelara o que é necessário para a salvação, bem seja por inspirações interiores ou enviando-lhe um pregador da fé" (In Lib. II Sententiarum, dist. 23, Q. viii,a.4, ad. 4 am).

o Concílio Vaticano II diz, em sua Constituição Pastoral Gaudium et Spes:
"E o que fica dito, vale não só dos cristãos, mas de todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente (31). Com efeito, já que por todos morreu Cristo (32) e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido."

O texto apenas trata daquilo que já era conhecido da teologia pré-conciliar: a universalidade da graça suficiente. É verdade que Deus quer que todos os homens se salvem, e daí deriva a graça suficiente. Todavia, essa graça suficiente não é eficaz a ponto de superar os impedimentos das causas segundas, quer seja a livre vontade do homem, quer sejam as circunstâncias que abreviam a vida do feto ou do recém-nascido não batizado, antes da idade da razão.

O magistério da Igreja tem ensinado que não se pode pôr limites à ignorância invencível, justamente porque a Igreja não tem o poder de julgar o oculto, isto é a consciência das pessoas (Ecclesia de occultis non judicat).

Ignorância invencível é sinônimo de agir com a retidão de consciência, isto é, consciência moralmente certa, e esse princípio é evocado não só na questão teológica da salvação, mas também para as ações morais.

Além disso, a ignorância invencível, no máximo, pode desculpar um "pecado" (pecado material, não formal). Mas não pode justificar. Por isso, afirmamos aqui a importância da fé na existência de Deus e na retribuição futura, mesmo para os pagãos. No caso das igrejas e seitas separadas da unidade católica, a salvação pode tornar-se ainda mais presente, posto que eles têm vários meios de santificação que por direito divino pertencem à Igreja.

Referências:

A Vida que começa com a morte. D. Estevão Bettencourt O.S.B. Livraria Agir Editora, 3º edição, 1963.

Demonstração Popular da Verdadeira Religião. Frei Affonso Maria ord. carm. Imprensa Industrial, Recife, 1935.

O Mistério dos Sacramentos, do Pe. Dr. Mons. Teixeira Leite Penido, Vozes, 1954.

http://www.tradicaoemfococomroma.com/2012/04/ignorancia-invencivel-e-salvacao.html

A ABSOLVIÇÃO RESTITUI AO QUE CAIU EM PECADO MORTAL OS MÉRITOS QUE ELE ADQUIRIRA ANTES DE CAIR




Já falamos algo sobre isto. Vamos, hoje, completar nossas reflexões.

Para melhor compreendê-lo é preciso observar que os teólogos distinguem, além das obras vivas, três outras espécies de obras: umas mortíferas,  outras nascidas mortas, e, enfim, as mortificadas. Em latim: opera mortifera, opera mortua, opera mortificata.

OBRAS MORTÍFERAS: São aquelas que matam a alma, como são os pecados mortais; pois," o pecado, consumado que é, produz a morte" (S. Tiago I, 15). 

OBRAS MORTAS: São as obras boas por sua natureza, como as orações, os jejuns, as esmolas, etc. que se fazem em estado de pecado mortal. São chamadas mortas ao nascer. pois não podem ser vivas, tendo por autor um morto, nem ser agradáveis a Deus, tendo por autor um inimigo de Deus. É o que diz São Paulo: "Ainda que distribuísse todos os meus bens com os pobres, se não tivesse caridade (=a graça santificante) tudo isto de nada me serviria" (1 Cor. XIII, 3). E o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor, disse no mesmo sentido: "Assim como a vara não dará fruto de si mesma, sem estar unida à videira, do mesmo modo vós, se não estiverdes em mim" (S. João XV, 4). Mas vejam bem, caríssimos, não quer isto dizer que deva abster-se destas espécies de obras quem está em pecado, sob pretexto de que elas não são meritórias para o céu; pois, elas têm outras vantagens muito grandes; principalmente impedem o homem de desacostumar-se das boas obras e habituar-se ao mal, e ao mesmo tempo inclinam o Senhor a fazer-lhe misericórdia.

OBRAS FERIDAS DE MORTE (=MORTIFICADAS): São aquelas que foram feitas em estado de graça e que, neste caso vivas e agradáveis a Deus, perderam toda a vida e todo o valor posteriormente, porquanto o pecado mortal veio destruí-las. Pois, o pecado é como um fogo devastador e um veneno mortal: devasta e consome tudo que encontra no seu caminho. O Senhor diz pela boca de Ezequiel: "Se o justo se afastar da sua justiça, e cometer a iniquidade, de todas as justiças que tiver feito não se fará memória" (Ezequiel XVIII, 24). Estas obras não são nascidas mortas, são apenas feridas de morte, porquanto elas tiveram vida. Tais foram as boas obras de Davi e de São Pedro, na ocasião em que um e outro cometeram o pecado mortal. Pois bem, a absolvição não só chama o homem da morte do pecado à vida da graça, como também faz reviver este tesouro de boas obras, feridas de morte pelo pecado. Observai, caríssimos, a longa série de boas obras que a santa absolvição faz ressuscitar de um só golpe, em um só momento. Momento feliz que faz reviver os trabalhos e os méritos de longos anos! É então que o Senhor diz como Isaac, respirando o bom odor das vestes de Jacó: "O odor do meu filho é igual ao odor de um campo fecundo que o Senhor abençoou" (Gen. XXVII, 27). Pois, na expressão de São Paulo, o justo é o bom odor de Jesus Cristo (Cf. 2 Cor. II, 25).


O que acabamos de meditar, leva-nos a refletir nesta bela exclamação de São João Crisóstomo: "Ó, como a clemência do Redentor é grande! Como o bálsamo salutar da penitência misturado ao seu precioso sangue transforma em perfume o fétido dos nossos crimes!" 

http://zelozelatussum.blogspot.com.br/

CATEDRAIS CATÓLICAS: a Basílica de Santa Maria de Cracóvia, Polônia

Basílica de Santa Maria (em polonês Kościół Mariacki) surge no centro histórico (Stare Miasto, ou "cidade velha") de Cracóvia, na Polônia, no lado oriental da grande Praça do Mercado (Rynek Główny, ou "Praça Grande"). É famosa por seu retábulo que retrata cenas da vida da Virgem Maria e também pela trombeta que soa a cada hora do topo da Basílica e pela triste rivalidade de dois irmãos na construção das torres, que culminou em uma tragédia.  

Esta joia do gótico polonês foi completada no século 14. Segundo o cronista Jan Długosz, a primeira igreja paroquial na Praça Grande foi erigida entre 1221-1222 pelo bispo de Cracóvia, Iwo Odrowążcom o presbitério virado para o leste, como era comum à época. Após sua destruição durante as invasões dos Tártaros, a igreja atual foi edificada em estilo gótico sobre a igreja precedente, de forma divergente da nova orientação da praça, em relação à qual se apresenta oblíqua.  


Esta Catedral lembra vagamente outra Catedral deslumbrante: a Sainte Chapelle de Paris: veja aqui

A igreja foi completamente reconstruída, em estilo gótico, sob o reinado de Casimiro III o Grande, entre 1355 e 1365, por iniciativa dos vizinhos de Cracóvia para rivalizar com a catedral de Wawel, com substanciais aportes do restaurador Mikołaj Wierzynek. O corpo principal da igreja foi terminado entre 1395–1397, quando foi construída a nova abóboda pelo maestro Nicolás Werhner de Praga. Contudo, a abóboda sobre o presbitério desabou em 1442, por causa de um terremoto, que nunca antes nem depois ocorrera em Cracovia. Na primeira metade do século XV, se acrescentaram as capelas laterias. A maioria delas foram obra do maestro Franciszek Wiechoń. Ao mesmo tempos foram erguidas as torres quadradas, acabadas entre os anos 1400 e 1406. No decorrer dos séculos, houve várias modificações que com a influência e vários estilos, até ao Art Nouveau, coexistindo harmoniosamente no interior do edifício. 
http://farfalline.blogspot.com.br/

JESUS CHORA

manjedoura

Et lacrymatus est Iesus — “E Jesus chorou” (Io. 11, 35.)
Sumário. O Menino Jesus chorava por duas razões. Em primeiro lugar chorava de compaixão para com os homens, que eram réus de morte eterna, e oferecia as suas lágrimas ao Eterno Pai, a fim de obter para eles o perdão. Chorava em segundo lugar de dor, vendo que, mesmo depois da Redenção tão grande número de pecadores continuariam a desprezar sua graça. Ah! Não agravemos mais as penas desse amabilíssimo Coração e consolemo-Lo, misturando as nossas lágrimas com as suas.
As lágrimas do Menino Jesus foram muito diferentes das que as outras crianças derramam quando nascem. Estas choram de dor, diz São Bernardo, mas Jesus não chora de dor, mas sim de compaixão para conosco, e de amor:Illi ex passione lugent, Christus ex compassione. Chorar alguém é sinal de grande amor. Por esta razão os Judeus, ao verem o Salvador chorar a morte de Lázaro, diziam:Vede como o amava — Ecce quomodo amabat eum (1). Da mesma forma os anjos, vendo as lágrimas de Jesus Menino, podiam dizer: Vede como nosso Deus ama os homens, pois por amor deles vemo-lo feito homem, feito criança, vemo-lo chorar.
Jesus chorava e oferecia as suas lágrimas ao Pai Eterno, para obter para nós o perdão dos nossos pecados. Aquelas lágrimas lavaram os meus crimes, dizia Santo Ambrósio, — Lacrymae illae mea delicta lavarunt. Com seus vagidos e gemidos Jesus suplicava misericórdia por nós, que estávamos condenados à morte eterna, e aplacava a indignação de seu Pai. Quanto interecederam a nosso favor as lágrimas do divino Menino! Como aceitas foram de Deus! Foi então que Deus Pai mandou anunciar pelos anjos que já queria fazer a paz com os homens e recebê-los em sua graça. Et in terra pax hominibus bonae voluntatis (2) — “Na terra paz aos homens de boa vontade”.
Jesus chora de amor; mas chora também de dor à vista de tão grande número de pecadores que, apesar de tantas lágrimas e de tanto sangue derramado para a salvação deles, não deixariam de desprezar a sua graça. Quem será tão cruel que, vendo um Deus Menino chorar as nossas culpas, não chore também e não deteste os pecados que tanto têm feito chorar o nosso amantíssimo Senhor? Ah! Não agravemos mais os padecimentos deste inocente Menino, mas consolemo-Lo misturando as nossas lágrimas com as suas. Ofereçamos a Deus as lágrimas de seu Filho, e roguemos-Lhe que pelos merecimentos delas nos perdoe.
Ó meu amado Menino Jesus, quando estáveis chorando na gruta de Belém, pensáveis em mim, porquanto o que Vos fazia chorar era a previsão dos meus pecados. É verdade, pois, ó meu Jesus, que, em vez de Vos consolar com o meu amor e a minha gratidão ao ver quanto tendes padecido pela minha salvação, agravei a vossa dor e a causa das vossas lágrimas. Se eu tivesse cometido menos pecados, teríeis chorado menos. Chorai ó Jesus, chorai; reconheço que tendes motivo para chorara prevendo a grande ingratidão dos homens, depois do tão grande amor vosso. Mas, já que chorais, chorai também por mim; as vossas lágrimas são a minha esperança. Eu também choro os desgostos que Vos tenho dado, ó Redentor meu; abomino-os, detesto-os e deles me arrependo de todo o meu coração.
Deploro todos os dias e todas as noites infelizes que passei em vossa inimizade e privado da vossa graça; porém, ó meu Jesus, para que serviriam as minhas lágrimas sem as vossas?
Pai Eterno, ofereço-Vos as lágrimas de Jesus Menino; perdoai-me por amor delas. E Vós, ó meu amado Salvador, oferecei a vosso Pai todas as lágrimas que em vossa vida derramastes por mim, e fazei com que me seja propício. Peço-Vos também, Amor meu, que eterneçais com as vossas lágrimas o meu coração e o abraseis no vosso santo amor. Quem me dera que de hoje em diante Vos consolasse tanto com o meu amor, quanto Vos fiz sofrer com os meus pecados! Concedei-me, ó Senhor, que os dias de vida que ainda me restam, não sirvam mais para Vos dar novos desgostos, senão parar chorar todos os que Vos tenho dado e para amar-Vos com todo o afeto da minha alma. — Ó Maria, rogo-vos pela terna compaixão que sentistes ao ver o Menino Jesus chorando, que me impetreis uma dor contínua das ofensas que eu ingrato tenho feito. (II 371.)
  1. Io. 11, 36.
    2. Luc. 2, 14.
Meditações para todos os dias e festas do ano – Tomo I – Santo Afonso
http://catolicosribeiraopreto.com/jesus-chora/#more-8028