SEJA BEM VINDO

21/01/2018

Como rezar bem o Rosário




“Abri, Senhor, os meus lábios para que louve o vosso santo nome…”
Essas são as primeiras palavras da bela oração que se reza antes do Ofício Divino e do Ofício de Nossa Senhora. Ela continua:
“… purificai também o meu coração de todos os vãos, perversos ou inúteis pensamentos; iluminai-me o entendimento, inflamai-me a vontade, para que digna, atenta e devotamente recite este Ofício e mereça ser atendido perante a vossa divina majestade”..
Esta oração ensina-nos resumidamente, mas de um modo perfeito, a atitude que devemos ter também ao rezar o Rosário: digna, atenta e devotamente.
O Revmo, Frei Royo Marín, dominicano e renomado teólogo, ex-professor na Universidade de Salamanca, explica cada um destes três termos

DIGNAMENTE

Esta primeira condição exige, pelo menos, que a recitação do Rosário se faça de modo decoroso, como corresponde à majestade de Deus, a quem principalmente a nossa oração é dirigida.
O melhor procedimento é rezar de joelhos diante do Sacrário — o que nos alcança uma indulgência plenária — ou diante de uma imagem de Nossa Senhora. Mas pode-se rezá-lo também em qualquer outra postura digna (por exemplo, modestamente sentado, passeando pelo campo, etc.). Seria indecoroso rezá-lo na cama (a não ser em caso de enfermidade) ou interrompê-lo constantemente para responder a perguntas alheias à oração.

ATENTAMENTE

A atenção é necessária para evitar a irreverência que ocorreria se houvesse distração voluntária.
Como querer que Deus nos ouça, se começamos por não nos ouvirmos a nós mesmos?
Contudo, nem toda distração é culposa. Não temos um controle despótico sobre a nossa imaginação, mas apenas político — como ensinam os filósofos — e não podemos evitar que ela nos escape sem a nossa permissão. As distrações involuntárias não invalidam o efeito meritório e impetratório da oração, desde que se faça o possível por contê-las e evitá-las. […]

DEVOTAMENTE

Bem-aveturado Alano de la Roche

A devoção consiste numa vontade pronta para as coisas referentes ao serviço de Deus. A própria Rainha do Céu disse ao Bem-aventurado Alano de la Roche: “Sabei que, embora hajam muitas indulgências concedidas ao meu Rosário, eu acrescentei muitas mais pelas diversas partes dele em favor daqueles que o rezarem sem pecado mortal, de joelhos, devotamente, e aos que perseverarem na devoção do santo Rosário, de acordo com essas condições e se o meditarem, obterei para eles, como prêmio, a plena remissão da pena e da culpa de todos os pecados no fim da vida. E não te pareça isto incrível; isto é-me fácil, pois sou a Mãe do Rei dos Céus, que me chama cheia de graça e, como cheia de graça, farei também ampla efusão dela em favor dos meus filhos queridos”.
Encerremos, pois, com este conselho de São Luís Maria Grignion de Montfort: “Considero como um dos mais assinalados favores de Deus a graça de alguém perseverar até a morte na prática quotidiana do Rosário. Perseverai nela e tereis a admirável recompensa que está preparada no Céu para a vossa fidelidade”.

 (Do Boletim Maria, Rainha dos corações – Portugal – nº 70, novembro de 2017, p. 2-3)

http://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/rosario/como-rezar-bem-o-rosario-205085

Nossa Senhora da Confiança

Nossa Senhora da Confiança

AUTOR: DAVID C. FRANCISCO
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Confiança! Confiança! Eu venci o mundo! (Jo 16, 33).
Quando a palavra confiança era pronunciada por Nosso Senhor Jesus Cristo, operava nos corações uma profunda e maravilhosa transformação, diz um sábio escritor. A aridez das suas almas era umedecida por um orvalho celestial, as trevas de seus espíritos se transformavam em luz, a angústia era substituída por uma calma serenidade.
O mesmo convite que Nosso Senhor fazia outrora aos seus ouvintes, repete hoje a nós. Confiança! Como essa virtude é necessária nos dias de hoje! Como estão equivocadas as almas que, sentindo suas deficiências e misérias, mal ousam aproximar-se do Divino Salvador, com receio de que um Deus tão puro, tão excelso não se inclinaria para elas, não perdoaria suas faltas! Deus é Misericórdia, e desde que desejemos sinceramente converter-nos, Ele tem pena de nossa miséria, e de nós se aproxima para salvar-nos, para nos colocar junto ao seu Sagrado Coração.
Mais ainda: quis nos dar um meio de experimentarmos a bondade do modo mais eloquente possível em termos humanos, que é o carinho materno. Do alto da Cruz, no momento mesmo de entregar sua alma ao Pai, deu-nos sua própria Mãe para ser também nossa Mãe. .Mulher, eis aí o teu filho. (…) Filho, eis aí a tua Mãe!. (Jo 19, 26- 27). Como explica a Igreja desde seus primeiros séculos, em São João estava representada toda a humanidade.
Esse dom inenarrável de sermos, também, filhos da Mãe do Céu, nos facilita igualmente a prática da virtude da confiança Essas reflexões nos trazem à lembrança uma belíssima pintura de Nossa Senhora da Confiança a Madonna della Fiducia. venerada na Cidade Eterna, na capela do Pontifício Seminário Romano, vizinho à famosa Basílica de São João de Latrão.
A devoção a Nossa Senhora da Confiança surgiu na Itália há quase três séculos, vinculada à venerável Irmã Clara Isabella Fornari, monja clarissa falecida em 1744, e com processo de beatificação em andamento. Abadessa do mosteiro da cidade de Todi, a Irmã Clara foi privilegiada por Deus com graças místicas, entre as quais a de receber em seus membros os estigmas da Paixão.
Nutrindo uma devoção muito particular à Mãe de Deus, portava sempre consigo um milagroso quadro que A representa com o Menino Jesus nos braços. A essa pintura se atribuíam graças e curas muito numerosas, e já no século XVIII começaram a circular pela Itália cópias dela, dando origem à devoção à Santíssima Virgem sob o título de Mãe da Confiança.
Uma das cópias acabou por se tornar mais célebre que a original. Foi ela levada para o Seminário Maior de Roma o principal do mundo, por ser o seminário do Papa, de onde se tornou padroeira. Todos os anos é venerada pelo próprio Pontífice, que vai visitá-la na festa da Madonna della Fiducia, em 24 de fevereiro.
Desde cedo, Nossa Senhora mostrou aos seminaristas que, se recorressem a Ela sob a invocação de Nossa Senhora da Confiança, podiam contar com seu auxílio nas piores situações.
Nesse sentido, entre os fatos prodigiosos mais insignes contam-se as duas vezes (1837 e 1867) em que uma epidemia de cólera atingiu a Cidade Eterna, mas o Seminário Romano foi milagrosamente poupado pela poderosa intercessão de sua Padroeira. Além disso, na Primeira Guerra Mundial, cerca de cem seminaristas foram enviados à frente de batalha, e colocaram-se sob a especial proteção da Madonna della Fiducia. Todos retornaram vivos, o que atribuíram à proteção da Santíssima Virgem. Em agradecimento, entronizaram o venerável quadro numa nova capela de mármore e prata.
Quando o famoso quadro do Seminário Romano ali chegou, vinha acompanhado de um antigo pergaminho, que ainda se conserva, o qual traz consoladoras palavras da Irmã Clara Isabel: A divina Senhora dignou-Se conceder- me que toda alma que com confiança se apresentar ante este quadro, experimentará uma verdadeira contrição dos seus pecados, com verdadeira dor e arrependimento, e obterá de seu diviníssimo Filho o perdão geral de todos os pecados. Ademais, essa minha divina Senhora, com amor de verdadeira Mãe, se comprouve em assegurar-me que a toda alma que contemplar esta sua imagem, concederá uma particular ternura e devoção para com Ela..
A devoção à Madonna della Fiducia. mostra-se particularmente benéfica quando se reza a jaculatória minha Mãe, minha confiança!
Muitos são aqueles que se fortalecem na confiança, ou a recuperam, apenas por contemplar essa bela pintura, sentindo-se inundados pelo olhar maternal, sereno, carinhoso, encorajador da Rainha do Céu.
E o divino Menino, também fitando o fiel, aponta decididamente o dedo indicador para a Santíssima Virgem, como a dizer:
Coloque-se sob a proteção d.Ela, recorra a Ela, seja inteiramente d’Ela, e você conseguirá chegar até Mim.

(Revista Arautos do Evangelho, Fev/2003, n. 14, p. 36 e 37)

COMO A FÉ DESENVOLVE A RAZÃO

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Deus nos deu os sentidos, a razão e a fé. Pelos sentidos nós entramos em contato com as coisas sensíveis, que lhes são proporcionadas; pela razão atingimos coisas superiores aos sentidos, coisas intelectuais; mas pela fé, Deus nos dá o modo de atingirmos, por um conhecimento mais elevado, as coisas divinas e o próprio Deus.
A razão criada por Deus, para Deus mesmo, só encontrará repouso em Deus, verdade primeira; a razão tem pois uma necessidade inata de Deus e o procuraria naturalmente se o homem não tivesse pecado, assim enfraquecendo-se, inclinando-se na maior parte das vezes, prendendo-se às coisas sensíveis.
A fé que Deus nos deu repara, ao menos em parte, a doença original da razão humana. Restaurando, retificando, fortalecendo a razão, faz com que ela atinja uma ordem de conhecimento que nunca poderia abordar: a ordem do conhecimento sobrenatural, ou das verdades reveladas por Deus.
É a fé que nos faz acreditar nas coisas invisíveis, diz São Paulo. Estas coisas invisíveis são parte daquilo que Deus conhece. Ele se revelou por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os apóstolos e, depois deles, a Igreja, nos transmitem a própria palavra de Deus; e por uma graça que chamamos o dom da fé recebemos esta palavra e nos convencemos de que esta palavra é a verdade.
O homem que não tem fé, só conhece na medida de seus sentimentos e de sua razão; o homem que possui a fé vai mais longe: percebe o insensível, atinge o invisível; em certa medida, entra na participação da ciência e da razão de Deus.
Então faz-se em sua alma uma nova luz, superior a qualquer luz natural; e em virtude de sua superioridade, essa luz se torna reguladora das luzes interiores que são a razão e os sentidos.
Assim tudo se subordina à fé, tudo entra na ordem sobrenatural; o olhar de nossos olhos, os pensamentos de nosso espírito, acharam leis que os salvaguardam, os preservam dos embates, os dirigem ao bem, leis que os fazem atingir o próprio Deus.
Nesta luz superior o homem de fé sente-se bem, é feliz: goza da verdade, ao menos tanto quanto é possível à criatura na vida presente. Para um homem de fé, diz São Jerônimo, o mundo inteiro é um grande tesouro.
Como assim? Porque dominando todas as coisas e percebendo-as sob um novo dia que é o dia da fé, o homem reconhece em tudo a obra de Deus; reconhece em tudo a vontade de Deus. Debaixo de todas as coisas o homem encontra a vontade de Deus, boa, bela, perfeita. E nela o homem se alegra.
Mesmo as coisas sensíveis vistas nesta luz são para o homem de fé um grande tesouro. Como o fiel é mais rico quando seu espírito repousa nos bens espirituais, nos invisíveis de Deus – como diz São Paulo.
É preciso ser um São Paulo para falar dignamente destas riquezas de nossa fé; eu por mim, me limitarei a mostrar em ação, uma fé prática dotada destes bens invisíveis de Deus.
A senhora mora em uma cidade. Qual é, na sua opinião, o lugar que lhe parece o mais importante da localidade? Qual é o personagem que é, a seus olhos, realmente maior entre todos os que moram no lugar?
A tal questão, quantos responderiam dando o nome de um monumento, de um senhor ou uma senhora?
Quem sabe?
O homem de fé iria mais longe e diria imediatamente: Nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento. Eis a verdadeira sabedoria, a verdadeira grandeza.
Os olhos não vêem nada disso, é verdade; a razão humana não a alcança, é também verdade; mas Deus nos deu a fé precisamente para nos tornar atentos ao que nossos olhos não vêem. É a fé que nos faz acreditar nas coisas invisíveis, diz São Paulo.
Entre as coisas invisíveis, naturalmente depois de Deus, temos de contar as almas. O homem de fé está atento às almas. Para os outros, um homem é apenas um corpo.
Depois das almas, ou melhor, junto com as almas, o homem de fé considera o estado da alma: a graça ou o pecado, seu mérito diante de Deus, seu presente e seu futuro. Ele é solícito para com as almas; trata dos seus interesses, com Deus todos os dias, e sempre que pode, com elas mesmo.
E é por tais atos que a fé se revela, que a fé cresce, que a fé nos leva a Deus.
Digamos juntos: Credo
Cartas sobre a fé – Pe Emmanuel-Andre
http://catolicosribeiraopreto.com/como-a-fe-desenvolve-a-razao/

TERCEIRO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA: O CENTURIÃO E OS HOMENS DE MEIA FÉ

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Amen dico vobis: non inveni tantam fidem in Israel — “Em verdade vos digo: não achei tamanha fé em Israel” (Mat. 8, 10).
Sumário. Prouvera a Deus que todos os cristão imitassem a fé do Centurião! Então o Senhor não terá de dirigir-lhes também a eles a queixa: “Não achei tamanha fé em Israel.” Mas infelizmente é demasiadamente grande o número dos homens de meia fé, dos que crêem nos dogmas do Evangelho sem se importar com a observância das suas máximas. Os infelizes! Tal fé repartida servir-lhes-á de maior condenação perante o tribunal de Jesus Cristo.
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I. Tendo Jesus Cristo entrado em Cafarnaum, saiu-lhe ao encontro um centurião, para lhe suplicar que restituísse a saúde a um seu criado paralítico. Respondeu-lhe o Redentor: Eu mesmo irei e o curarei. — Não, Senhor, replicou o Centurião; eu não sou digno de que entreis em minha casa; basta que digais uma só palavra, e o meu criado estará salvo. — Jesus Cristo, ao ouvir tal palavra, admirou-se; consolou o Centurião dando no mesmo momento saúde ao criado, e voltando-se para os seus discípulos disse-lhes: Em verdade vos digo que não achei tamanha fé em Israel.
Ah! Prouvera a Deus que todos os cristãos imitassem a fé daquele centurião; então o Senhor não teria de dirigir-lhes também a eles a queixa: Non inveni tantam fidem in Israel — “Não achei tamanha fé em Israel”. Mas é excessivamente grande o número de cristãos de meia fé somente. Quero dizer que há católicos que crêem nas verdades especulativas da fé, que dizem respeito à inteligência, e não crêem, ou ao menos não mostram que crêem, também nas verdades práticas, que dizem respeito à vontade e aos costumes.
Com efeito, como se pode dizer que crêem no Evangelho aqueles que julgam deshonrar-se quando perdoam, que não pensam senão em ter vida de delícias, que julgam infeliz o que se abstém dos prazeres terrestres e mortifica a sua carne? Como se pode dizer que crêem no Evangelho aqueles que por humano respeito e para não se exporem aos escárnios dos outros, deixam as suas devoções, deixam a freqüência dos sacramentos, deixam o recolhimento de espírito, e se dissipam em confabulações, em banquetes, quiçá em coisas piores? Ah! Desses tais deve dizer-se, ou que não têm mais fé, ou que crêem somente em parte: Non inveni tantam fidem in Israel — “Não achei tamanha fé em Isael”. 
II. Irmão meu, suplico-te pela salvação de tua alma, examina com diligência qual é a vida que levas. Se por desgraça não a achares de todo conforme à religião que professas, faze um firme propósito de emendá-la, a principiar de hoje mesmo. Reflete que essa meia fé, esse crer nos dogmas do Evangelho sem a observância das suas máximas, não te será de nenhum proveito perante o tribunal do juiz eterno; ou antes, servir-te-á para tua maior condenação.
Eis aí exatamente o que Jesus Cristo diz no Evangelho de hoje: “Eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e se sentarão à mesa com Abraão, Isaac e Jacó, no reino dos céus. Os filhos do reino, porém, serão lançados nas trevas, onde haverá pranto e ranger de dentes.” — Com estas palavras, nos quis dizer que muitos dos que nasceram entre os infiéis se salvarão com os santos, ao passo que muitos nascidos no grêmio da Igreja irão ao inferno, onde o verme roedor da consciência, com os seus remorsos, os fará chorar amargamente por toda a eternidade, lembrando-lhes sempre que, se é insensato quem não crê no Evangelho, muito mais insensatos foram os que nele creram somente pela metade.
Ó meu amabilíssimo Jesus, eu também há muito tempo mereci ser contado no número daqueles insensatos, porque não tomei sempre a vossa Lei por norma das minhas ações, e Vos ofendi, ó bondade infinita. Senhor, não me atreveria a recorrer a Vós para obter misericórdia; mas: Ad quem ibimus: A quem iremos? Assim Vos direi com São Pedro: Verba vitae aeternae habes (1) — Vós tendes as palavras da vida eterna. Dizei portanto uma destas palavras e a minha alma será salva de todas as enfermidades espirituais, que lhe causei com os meus pecados. — Quanto ao futuro, renovo agora a minha fé em todas as verdades reveladas no Evangelho, não somente nas especulativas, senão também nas práticas, e protesto que antes quero morrer do que tornar a transgredi-las. — E Vós, “Deus onipotente e eterno, olhai propício para a minha fraqueza e estendei em minha defesa a mão poderosa da vossa majestade” (2); fortalecei-me com a vossa graça a fim de que não Vos torne a trair. Peço-o também a vós, ó grande Mãe de Deus e minha Mãe, Maria. (*VIII 523.)
1. Io. 6, 69.
2. Or. Dom. curr.
Meditações para todos os dias e festas do ano – Tomo I – Santo Afonso
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15/12/2017

“De Maria numquam satis”.


“De Maria numquam satis”, dizem os Santos. Não se deve dizer basta nos louvores a Maria Santíssima. Não temamos cultuá-la excessivamente. Estamos sempre muito aquém do que Ela merece. Não é pelo excesso que nossa devoção a Maria falha. E sim, quando é sentimental e egoísta. Há devotos de Maria que se comovem até às lágrimas, e, no entanto, se ajustam, sem escrúpulos, à imodéstia e à sensualidade dominantes na sociedade de hoje. Sem imitação não há verdadeira devoção marial.
Consagremos, realmente, a Maria Santíssima nossa inteligência e nossa vontade, com a mortificação de nossa sensibilidade e de nossos gostos, e Ela cuidará de nossa ortodoxia. “Qui elucidam me vitam aeternam habebunt” (Eclo 24,31) – [Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna] -, diz a Igreja de Maria. Os que se ocupam de fazê-la conhecida e honrada terão a vida eterna.
Dom Antônio de Castro Mayer.
Quando eu era jovem teólogo, antes e até mesmo durante as sessões do Concílio, como aconteceu e como acontecerá a muitos, eu alimentava uma certa reserva sobre algumas fórmulas antigas como, por exemplo, a famosa De Maria nunquam satis – “Sobre Maria jamais se dirá o bastante”. Esta me parecia exagerada.
Encontrava dificuldade, igualmente, em compreender o verdadeiro sentido de uma outra expressão bastante famosa e difundida repetida na Igreja desde os primeiros séculos, quando, após um debate memorável, o Concílio de Éfeso, do ano 431, proclamara Nossa Senhora como Maria Theotokos, que quer dizer Maria, Mãe de Deus, expressão esta que enfatiza que Maria é “vitoriosa contra todas as heresias”.
Somente agora – neste período de confusão em que multiplicados desvios heréticos parecem vir bater à porta da fé autêntica –, passei a entender que não se tratava de um exagero cantado pelos devotos de Maria, mas de verdades mais do que válidas.
Cardeal Joseph Ratzinger – Entretiens sur la Foi, Vittorio Messori – Fayard 1985.
(Publicado originalmente na festa da Imaculada Conceição de 2008)
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“Eis que eu envio o meu mensageiro adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti”.


Explicação do Evangelho do 2º Domingo do Advento.
Por Padre Élcio Murucci – FratresInUnum.com
S. Mat. XI, 2-10
2. Como João, estando no cárcere, tivesse ouvido falar das obras de Cristo, enviou dois de seus discípulos, 3. a dizer-lhe: És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?4. Respondendo Jesus, disse-lhes: ide e contai a João o que ouvistes e vistes: 5. Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados; 6. e bem-aventurado aquele que não encontrar em mim motivo de escândalo. 7. Tendo eles partido, começou Jesus a falar de João às turbas: Que fostes vós ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8. Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas vivem nos palácios dos reis. 9. Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais do que profeta; 10. Porque este é aquele de quem está escrito: “Eis que eu envio o meu mensageiro adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti”.
Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!
João Batista era o precursor do Messias como fora escrito pelo profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor” (Is. 40, 3).
john baptist
São João Batista
Malaquias igualmente diz: “Eis que mando o meu mensageiro, o qual preparará o caminho diante da minha face”. E o próprio Jesus confirma no vers. 10 do Evangelho de hoje, que João Batista é este mensageiro predito pelo profeta.
Mas, João Batista fora preso pelo rei Herodes porque censurava em face o adultério e o encesto deste cruel e debochado soberano. Lá do fundo da prisão, o Precursor quer dar um último testemunho de Jesus Cristo. João Batista já havia mostrado Jesus às margens do rio Jordão: “Eis o Cordeiro de Deus”. Dissera também quando Jesus vinha ter com ele: “Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira  o pecado do mundo. Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um homem que me foi preferido, porque era antes de mim, Eu não o conhecia, mas vim batizar em água, para ele ser reconhecido em Israel… Vi o Espírito (Santo) vir do céu em forma de pomba e repousou sobre ele. Eu não o conhecia, mas o que me mandou batizar em água, disse-me: Aquele, sobre quem vires descer e repousar o Espírito , esse é o que batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dei testemunho de que ele é o Filho de Deus” (S. João I, 29-34).
Na verdade, os discípulos de João Batista não admitiam que pudesse haver outro Mestre acima dele. Mas o Precursor fazia questão de frisar que ele não era o Messias; foi mandado por Deus apenas para preparar os corações para receberem o Messias. Afirmava que o Salvador já estava no meio deles, e ele não era digno nem de desatar as correias de suas sandálias. Dizia outrossim, que era mister que Jesus crescesse e que ele diminuísse. Em outras palavras: o Batista deixava claro que a sua missão era levar o povo a seguir a Jesus e não a ele.
E assim compreendemos o significado desta atitude de João Batista em relação aos seus discípulos: queria que eles fossem até Jesus e vissem com os próprios olhos os milagres que Jesus fazia e que eram exatamente os que os profetas predisseram que o Messias faria quando viesse ao mundo. Embora um santo extraordinário, a Providência divina não quis que João Batista fizesse milagres.
Os enviados do Batista perguntaram a Jesus: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? Respondeu-lhes Jesus: “Ide e contai a João  o que ouvistes e vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados”.
Lemos em Isaías XXXV, 3-6: “Deus mesmo virá e vos salvará. Então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então saltará o coxo como um cervo e desatar-se-á a língua dos mudos”. Em outro lugar diz: “E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos” (Is. XXIX, 18).  Sobre os pobres eis o que diz ainda Isaías: “Não julgará pelo que se manifesta exteriormente à vista, nem condenará somente pelo que ouve dizer; mas julgará os pobres com justiça, tomará com equidade a defesa dos humildes da terra” (Is. XI, 3 e 4). E Davi no Salmo 71, 13: “Usará de clemência com o pobre e o desvalido, e salvará as almas dos pobres”.
Jesus não afirma: Eu sou o Messias. Faz muito mais: isto é, mostra que n’Ele se realizam as profecias sobre o Messias. Na presença dos discípulos de João Batista realiza as obras com que os profetas mostraram antecipadamente o perfil do futuro Messias. Os falsos profetas, os fundadores de religiões novas, Maomé, Lutero, Alan Kardec e muitos outros  afirmaram que eram os enviados de Deus, mas não o provaram com obras.
No versículo 6º Jesus diz: “E bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim!”. O velho Simeão havia predito que Jesus devia ser objeto de contradição por muitos, e esta predição se cumpria já. Jesus era alvo de escândalo por parte dos doutores que invejavam sua influência, pela vulgaridade que emanava de sua pobreza; era objeto de escândalo até por parte dos discípulos mesmos de João Batista que colocavam Jesus bem abaixo de seu mestre. Feliz portanto, exclama Jesus, aquele que não se escandalizar de mim, isto é, bem-aventurado aquele que reconhecer quem Eu sou, feliz quem vir em mim o Messias Redentor, o enviado do Altíssimo, o Filho de Deus!
Caríssimos, aceitemos tudo o que saiu dos lábios divinos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é, pois, o nosso Salvador, é o Filho de Deus vivo! Nos versículos 7-9 Jesus Cristo faz o elogio de João Batista: “Que fostes ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento? Assim, o primeiro elogio que Jesus faz de João Batista é este de sua CONSTÂNCIA. João dera testemunho de Jesus às margens do Rio Jordão; dá-Lhe testemunho do fundo de sua prisão. Ele anuncia a verdade ao povo, aos sacerdotes, aos próprios reis, e com uma força que os faz tremer e empalidecer em seu trono. Portanto, João não é um caniço fraco e movediço à mercê do vento. Não é um destes homens pusilânimes que o temor o abate, que o respeito humano desconcerta e faz vacilar. Não, a prisão, a espada, a morte mesma não  levarão o Batista a trair seu dever. Na crise sem precedente que afeta a Igreja, ai dos Sacerdotes e Bispos que, às expensas da verdade, se preocupam prioritariamente quando não exclusivamente com seus interesses ambicionais ou monetários.
No vers. 8º  Jesus faz um segundo elogio ao Seu Precursor: “Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas delicadas? Mas os que vestem roupas delicadas vivem nos palácios dos reis”. Caríssimos, a PENITÊNCIA é uma das grades virtudes do cristianismo, uma virtude essencial, indispensável. Sem ela, a salvação eterna torna-se impossível. Portanto, quem quiser seguir a Jesus Cristo deve renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz. João Batista que fora enviado por Deus para mostrar aos homens Jesus penitente, devia evidentemente apresentar em si mesmo antes de tudo os caracteres da penitência: habita os desertos, não tem por vestimenta senão peles de camelo presa por uma correia de couro; por alimento senão gafanhotos e mel silvestre. Nosso Senhor Jesus Cristo que quer inculcar no povo o amor da penitência, quis enfatizar cuidadosamente a prática da penitência em Seu santo Precursor.
Caríssimos, nestes tempos de moleza, de luxo e sensualidade, quão necessária se nos torna esta lembrança de Jesus e de Seu Precursor! Não somente nos palácios dos reis encontramos hoje aqueles que se vestem molemente, suntuosamente, sensualmente e imodestamente! Estes estão em total oposição à doutrina e aos exemplos do divino Mestre. No entanto, encontramos tais pessoas em toda parte, em todas as condições sociais, e, dizemos com tristeza, muitas vezes até nas casas paroquiais e episcopais. Talvez muitos sejam aqueles mesmos que, escandalizados criticam a suntuosidade na Casa de Deus.
No vers. 9º e 10º lemos o terceiro elogio: “Mas que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e ainda mais do que um profeta. Porque este é aquele de quem está escrito: “Eis que eu envio o meu mensageiro adiante de ti, o qual te preparará o caminho diante de ti”.  Na
verdade, os profetas não haviam feito senão anunciar o Salvador; João O mostra: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo”. Não é, portanto, somente profeta, ele é também apóstolo. Não somente prediz o Messias, ele O prega, O mostra à multidão, ganha para Ele numerosos discípulos. É outrossim, além de profeta e apóstolo, testemunha de Jesus também pelo sangue, ou seja, é mártir. Por ter dado testemunho da verdade, e por conseguinte, de Deus, que é a Verdade por essência, é que ele incorreu na cólera de Herodes, que é metido na prisão e que teve a cabeça cortada. E é por isso que Jesus disse que João era o maior dos filhos dos homens. Que santo da Antiga Lei, pois, reuniu tantos títulos, e mostrou em sua pessoa tão altas virtudes?
Caríssimos, que glória para João Batista receber dos lábios do Juiz Supremo e já aqui na terra, isto é, antes mesmo do Juízo Final, elogios tão altos! É que Jesus não se deixa vencer em generosidade. Estes elogios são, na verdade, a recompensa pelo desvelo, pelo zelo e pelo desinteresse perfeito com os quais João Lhe havia, por primeiro, dado testemunho.
Se quisermos, irmãos caríssimos, obter um dia esta mesma recompensa, isto é, que Jesus nos confesse, em seu dia supremo, diante do Pai, dos Anjos e dos homens, então, confessemo-Lo agora à exemplo de João Batista, confessemo-Lo por palavras, confessemo-Lo por obras, confessemo-Lo sem temor, sem respeito humano, com perigo de nossa vida, se necessário for. Não temos outra missão sobre a terra senão esta de servir de testemunha de Jesus Cristo e da verdade. É para isto que Deus nos colocou na terra. De cada um de nós é verdade dizer: “Este veio como testemunha, para dar testemunho da Luz”. A cada um de nós Jesus Cristo diz, como dizia aos seus apóstolos: “Sereis minhas testemunhas”. Devemos dar testemunho firme e impávido da doutrina e da pureza da moral de Nosso Senhor Jesus Cristo. Só assim, mereceremos no Juízo Universal, ouvir dos lábios divinos do Juiz Supremo aquelas palavras que nos farão felizes para todo sempre: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino de Deus, que vos foi preparado desde o início do mundo”. Amém!
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Procurou Maria, encontrou Jesus

Um olhar da Virgem Santíssima inunda de alegria um pastorzinho inocente, na Gruta de Belém. A ambição das riquezas apaga nele a lembrança dessa inefável graça. A caminho do Calvário, 33 anos depois, a Mãe de Misericórdia fita-o novamente...
AUTOR: LAMARTINE DE HOLLANDA CAVALCANTI NETO



Nos arredores de Belém de Judá, morava um inocente menino hebreu, filho de pastores. Seus pais chamaram-no Sear Jasub em homenagem ao significado profético do nome de um dos filhos do profeta Isaías: “o resíduo que voltará”.
Uma noite, Sear estava no campo com seu pai e outros pastores.
Acordou sob efeito de uma encantadora luz. Saiu da tenda e viu todos contemplando maravilhados um coro de anjos luminosos que cantavam: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade”. Cessada a aparição, seguiu com os pastores para Belém. Não entendia o que se passava, mas sentia na alma uma imensa alegria.
Chegando à cidade, encontraram uma gruta intensamente iluminada.
Um menino de celestial beleza estava deitado numa manjedoura, envolto em panos. A se lado, uma senhora muito jovem, de SAGRADA-FAMILIA-NASCIMENTO.JPGrosto resplandecente. Ela olhou e sorriu para Sear, gravando-lhe na alma esta promessa: “Meu filho, tudo isto um dia retornará para você”.
Impossível descrever a paz e o gáudio do inocente pastorzinho!
Esqueceu o que nunca deveria esquecer!
Sear Jasub cresceu. Foi trabalhar com um tio, dono de uma banca de câmbio nos átrios do Templo de Jerusalém.
Ainda jovem e cheio de fé, freqüentava a escola de Gamaliel, entusiasmou-se com João Batista e foi um dos primeiros a receber seu batismo.
Mas… passaram-se os anos e a preocupação dos negócios amorteceu em sua alma a recordação daquele olhar e daquele sorriso.
Com ajuda de alguns fariseus, conseguiu estabelecer sua própria banca.
Relacionou-se também com os saduceus, e casou-se com uma contra-parente de Caifás.
Só uma coisa empanava esse horizonte promissor. Eram as notícias de que um novo e controvertido profeta começava a ameaçar a hegemonia dos fariseus e saduceus, seus amigos.
Entre a admiração e o ódio
Um dia apareceu no Templo um homem seguido por alguns rudes pescadores. Tomando uma corda, fez um açoite e pôs-se a expulsar vendilhões e animais. Quando Sear viu suas mesas derrubadas e suas preciosas moedas espalhadas pelo chão, precipitou-se encolerizado sobre o homem. Fitando, porém, seu rosto, tomou-se de pavor.
Parecia-lhe ver de novo aquele menino da manjedoura, cercado de anjos. Fugiu desconcertado. Informando-se depois, descobriu que esse homem era o próprio Nazareno.
Sentiu-se perturbado. Queria odiá-lo, mas era propenso a admirá- lo. Suas obras eram portentosas, embora os fariseus garantissem tratar-se de um possesso.
A dúvida crescia no espírito de Sear Jasub. Decidiu abafar a voz da consciência, assumindo uma atitude de neutralidade. Cuidaria apenas de seus interesses pessoais. Se o Galileu fosse mesmo o Messias, tanto melhor, pois viria o Reino e isso só lhe traria vantagens. Se não fosse, tudo se desfaria, inclusive aquela sensação de remorso que lhe corroía a alma.
O reencontro
Passaram-se os meses. Numa sexta-feira pela manhã, recebeu uma convocação de Caifás. O “blasfemador” estava preso e seria julgado. Sear afligiu-se. Mandou dizer que estava de viagem. Como já era seu costume, recorreu ao vinho para acalmar-se e foi passear fora da cidade.
Próximo ao campo do oleiro, viu passar um homem correndo alucinado em direção a umas figueiras próximas, com uma corda na mão. Era um antigo conhecido seu, chamado Judas.
No caminho de volta à casa, ouviu uma gritaria. Numa curva pouco adiante, surgiram três condenados à morte, cercados pelo populacho que vociferava contra um deles.
Estremeceu, adivinhando de quem se tratava. Era um homem coberto de sangue e ferimentos, com uma coroa de espinhos na cabeça e uma pesada cruz às costas.
Sear desviou por um momento o rosto. Quando olhou novamente, notou que ao lado desse condenado seguia uma senhora resplendente de luz e, ao mesmo tempo, carregada de dores. Seria a mãe SAGRADA-FAMILIA.jpgdele?! Passando por Sear, ela o fitou…
Neste momento, ele lembrou- se! Cintilava nela aquele mesmo olhar materno da senhora que lhe havia sorrido trinta e Natal – Cascais – atrês anos antes, na Gruta de Belém.
À procura de Maria
Tomado por um enlevo indescritível, Sear saiu vagando pelas ruas. No final da madrugada, em meio às brumas, esbarrou num transeunte. Reconheceu-o. Era Pedro, o chefe dos pescadores, que, em prantos, repetia sem cessar: “Preciso encontrar a Senhora!” Aquelas palavras penetraram-lhe fundo na alma. Sentiu, também ele, a mesma necessidade premente: encontrar a mãe do Messias! Claro! Quem, a não ser ela, poderia socorrê-lo? Precisava encontrá- la. Mas… como? E Sear fez algo de que há muito tempo se olvidara: rezou. Javeh não deixaria de atendê-lo, se pedisse por intercessão daquela senhora.
Inocência restaurada
Dito e feito. Passados alguns dias, viu na rua outro discípulo do Crucificado. Chamava-se Tomé e andava depressa. Seguiu-o pelas ruelas estreitas até chegar a uma grande habitação. Abordou-o, confiante, suplicando-lhe que o apresentasse à Senhora. Vendo-o tão movido pela graça, Tomé acedeu.
Sear quase não podia acreditar no que aconteceu então. Sim, era aquela mesma régia Senhora que lhe havia sorrido quando criancinha, que agora lhe falava e o consolava! E restaurava sua inocência primaveril. Contudo, ele nem imaginava o que ainda estava por acontecer.
Estando as portas fechadas, surgiu um homem chamejante de luz. Em seu flanco, em suas mãos e pés, fulguravam chagas rubras.
Sear o reconheceu. Era o Crucificado. Ouviu sua voz, viu Tomé pôr a mão numa de suas chagas sagradas. E creu: o Senhor havia ressuscitado verdadeiramente. Procurando Maria, ele encontrou também Jesus. (Revista Arautos do Evangelho, Dez/2003, n. 24, p. 42-43)
http://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/espiritualidade/procurou-maria-encontrou-jesus-2-140938