SEJA BEM VINDO

26/07/2017

Vantagens do Santo Sacrifício (Excelências da Santa Missa – V)



Leia o primeiro capítulo

Por S. Leonardo de Porto-Maurício, da Ordem dos Frades Menores

S. Leonardo de
Porto-Maurício
A GRANDEZA E A BELEZA são dois motivos assaz poderosos para tocar os corações. A utilidade, porém, os persuade e, a despeito de toda repugnância, arrebata quase sempre à vitória.

Ainda que a excelência e a necessidade da Santa Missa não fossem para vós bastante ponderáveis, como poderíeis deixar de apreciar a magna utilidade que ela proporciona aos vivos e falecidos, aos justos e aos pecadores, para a vida e para a morte, e mesmo para depois da morte? Imaginai que sois aquele devedor do Evangelho, cuja dívida se elevara à enorme quantia de dez mil talentos. Chamado a prestar contas humilha-se, implora e pede adiamento para satisfazer completamente o débito: 

"Patientiam hiabe in me, et omnia rddam tibi." – “Tem paciência comigo, que tudo de pagarei” (Mt 18, 26)

Aí está o que deveis fazer, vós que tendes com a Justiça divina não uma, mas mil dívidas. Deveis humilhar-vos e suplicar tempo bastante para assistir à Santa Missa; e ficai certos de que estas Santas Missas saldarão completamente todas as vossas obrigações.

São Tomás de Aquino, o Doutor angélico, nos ensina quais são as dívidas que temos com DEUS. Ele diz que há especialmente quatro. Todas as quatro ilimitadas.

A primeira é de adorar, louvar e honrar este DEUS de majestade infinita e digno de infinitos louvores e homenagens.

A segunda dar-Lhe satisfação pelos pecados que cometemos.

A terceira, render-Lhe graças pelos benefícios recebidos.

A quarta, implora-Lhe, como Fonte de todas as graças.

Ora, como é possível que pobres criaturas como nós, que nada possuímos, nem mesmo o ar que respiramos, possam jamais satisfazer obrigações tão grandes? Consolemo-nos, pois aqui está um meio facílimo. Façamos o possível para participar de muitas Missas e com a máxima devoção; mandemos celebrá-la também o mais que pudermos: e, se bem que nossas dívidas sejam enormes e inumeráveis, não há dúvida de que, com o tesouro contido na Santa Missa, poderemos solvê-las inteiramente. E para melhor compreendermos estas dívidas, explicá-las-ei uma depois da outra, e grande será vossa consolação ao ver a grande utilidade e inesgotável riqueza que podeis haurir de mina abundante, para pagar todas.

http://www.ofielcatolico.com.br/2004/10/vantagens-do-santo-sacrificio.html

O Mistério do Culto de Cristo e da Igreja.



Frei Alberto Beckhäuser, OFM 

O grande estudioso da Sagrada Liturgia Dom Odo Casel definiu a Liturgia como sendo o Mistério do Culto de Cristo e da Igreja. O Catecismo da Igreja Católica a apresenta como celebração do Mistério pascal. Liturgia tem, pois, a ver com mistério. Mas, como entender o mistério? Para uma correta compreensão do que seja a Sagrada Liturgia é importante termos uma noção do que seja o mistério. Não se trata do mistério no sentido em que geral se compreende, como algo desconhecido, de secreto, que não pode ser compreendido, mas no sentido que a Bíblia, os Padres da Igreja e a Liturgia o entendem. Claro que em qualquer mistério também continua presente o aspecto do oculto. Mistério vem do verbo grego myo, que significa estar fechado, estar cerrado ou cerrar-se, mas sempre alguma coisa que pode ser aberta, que é feita para ser aberta como, por exemplo, a porta, a janela. A palavra mistério conota sempre algo oculto, que pode ser revelado. Tem a ver também com culto, com rito, pois, o rito sempre oculta e revela algo ao mesmo tempo em relação à divindade, a Deus, a comunhão com Deus. O mistério se realiza já no próprio Deus. Deus é mistério não só porque a razão humana não O pode compreender plenamente, mas também porque Deus é intercomunhão de vida e de amor trinitário. Deus é comunhão de vida e de amor. Na compreensão da Liturgia a partir da Sagrada Escritura, sobretudo de São Paulo, mistério é o plano de Deus de fazer outros fora dele participar de sua vida, do seu amor, de sua felicidade e glória, plano este revelado e realizado em Jesus Cristo e em todos aqueles e aquelas que acolherem em Cristo este plano de Deus. Enquanto este maravilhoso plano de Deus se realiza em Jesus Cristo, ele é chamado mistério de Cristo. As diversas revelações e realizações deste Plano nas ações de Jesus Cristo, como ações salvadoras e de glorificação de Deus, são chamadas mistérios de Cristo. Os mistérios de Cristo são as diversas expressões da passagem, da páscoa de Cristo por este mundo, pelas quais ele realiza a obra da salvação, como a encarnação, o nascimento, o batismo no Jordão, a pregação, os milagres, a transfiguração, os passos da Paixão e Morte, a Sepultura, a Ressurreição e gloriosa Ascensão ao céu, o envio do Espírito Santo, na esperança da sua última vinda. O mistério, para fora de Deus, se realiza, onde Deus e o ser humano se encontram, onde Deus e o ser humano convivem, onde Deus e o ser humano se tornam um na comunhão do amor. O mistério realiza-se também onde as pessoas humanas se encontram no bem, onde os seres humanos praticam o bem um ao outro, doam-se um ao outro no amor. O amor conjugal, por exemplo. São Paulo diz que é grande este mistério, expressando a relação do amor entre Cristo e a Igreja. Mas, o mistério realiza-se, acontece, sobretudo, através de ritos comemorativos dos mistérios de Cristo, através das diversas celebrações da Igreja, que constituem a Sagrada Liturgia. Pelo mistério do culto participamos dos mistérios de Cristo, ou seja, do mistério pascal. Realiza-se, sensível e sacramentalmente, a comunhão divino-humana, a exemplo da comunhão divino-humana em Cristo Jesus. Na Liturgia, Deus continua a encarnar-se.


22/07/2017

MARIA SANTÍSSIMA É A MEDIANEIRA DOS PECADORES PARA COM DEUS

maria

Facta sum coram eo quasi pacem reperiens — «Tenho-me tornado na sua presença como uma que acha a paz» (Cant 8, 10)
Sumário. É com razão que Maria Santíssima é comparada aoiris; porque é a medianeira e o penhor da paz entre Deus e os homens. Com efeito, quantos pecadores que agora são grandes Santos no céu, estariam talvez ardendo no inferno, se Maria não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão! Seja qual for o estado da nossa alma, recorramos com confiança a esta querida Mãe e seremos salvos. Lembremo-nos, porém, que para merecermos a sua proteção especial, é preciso que tenhamos ao menos a vontade de nos emendar.
*************************
O principal ofício que foi dado a Maria, quando veio à terra, consistiu em levantar as almas decaídas da graça divina e reconciliá-las com Deus. Eis como o Espírito Santo a faz falar nos sagrados Cânticos: Eu me tornei diante dele como uma que achou a paz. Eu sou, diz Maria, a defesa daqueles que a mim recorrem, e a minha misericórdia é, em benefício deles, como uma torre de refúgio, porque o Senhor me fez medianeira de paz entre os pecadores e Deus. — Oh, quantos daqueles que são agora grandes Santos no paraíso, estariam talvez a arder no inferno, se a Virgem não tivesse intercedido junto ao Filho para lhes obter perdão!
Por isso, os Santos Padres comparam Maria Santíssima, não só com a arca de Noé, onde acharam abrigo todos os animais, figuras dos pecadores; mas ainda com a pomba, que, saída da arca, para ela voltou, trazendo no bico o ramo de oliveira, em sinal da paz que Deus concedia aos homens.
Foi também figura expressiva de Maria o iris, que, na visão de São João, cercava o trono de Deus: Et iris erat in circuitu sedis (Apoc 4, 3). Sim, porque, na explicação de um intérprete, a Santa Virgem sempre assiste no tribunal divino para mitigar a sentença e o castigo devido aos pecadores; ou ainda, porque, segundo diz São Bernardino de Sena, como Deus à vista do arco-íris se lembra da paz prometida à terra, assim também, pelos rogos de Maria, perdoa aos pecadores as ofensas feitas, e faz pazes com eles.
Tinha, pois, São Bernardo razão de exclamar: Age gratias ei, qui talem tibi mediatricem providit — «Rende graças a Deus que te concedeu tal medianeira». Ó pecador, por muito que estejas enlodado de culpas, e envelhecido no pecado, não desconfies. Dá graças a teu Senhor, que, para usar contigo de misericórdia, não só te deu o Filho por advogado, mas para te inspirar mais ânimo e confiança, te concedeu uma medianeira, que com seus rogos obtém tudo que quer. Vai, recorre a Maria, com a vontade de te emendar, e serás salvo.
Dulcíssima Soberana, se é vosso ofício interpor-Vos como medianeira entre Deus e os pecadores, permiti que Vos diga com Santo Tomás de Vilanova: Advocata nostra, officium tuum imple — «Ó advogada nossa, cumpri o vosso ofício também para comigo». Não me digais que minha causa é muito difícil de ganhar; porque sei, e todo o mundo m’o afirma, que nunca uma causa, por desesperada que parecesse, se perdeu quando vos teve por defensora. Só a minha correria risco? Não, não o temo.
Sem dúvida, se não considerasse senão a multidão dos meus pecados, devera temer que vos escusásseis a me defender. Mas considerando, ó Maria, a vossa imensa misericórdia, e o extremo desejo que vive em vosso dulcíssimo Coração, de ajudar os pecadores mais perdidos, nem isso temo. Quem é que já se perdeu depois de ter recorrido a vós? Chamo-vos, pois, em meu socorro, ó minha poderosa advogada, meu refúgio, minha esperança e minha Mãe. A vossas mãos entrego a causa da minha salvação eterna; confio-vos a minha alma; ela estava perdida, mas a vós toca salvá-la. Não deixo de dar graças ao Senhor por me ter inspirado tão grande confiança em vós, a qual, não obstante a minha indignidade, me dá segurança de salvação.
Um só temor ainda me aflige, ó minha amadíssima Rainha; é perder um dia, por minha negligência, a confiança que tenho em vós. Suplico-vos, pois, ó Maria, pelo amor que tendes a vosso Jesus, conserveis e aumenteis em mim cada vez mais a doce confiança em vossa intercessão; ela com certeza me fará recobrar a amizade de Deus, que tão loucamente desprezei e perdi no passado. Uma vez recobrada esta amizade, espero conservá-la por vosso socorro, e, conservando-a, chegar ao paraíso, para vos render graças e cantar as misericórdias de Deus e as vossas, durante toda a eternidade. (*I 101.)
Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II – Santo Afonso
http://catolicosribeiraopreto.com/maria-santissima-e-a-medianeira-dos-pecadores-para-com-deus/#more-10076

Discurso do Santo Padre Bento XVI em Audiência Geral (de 31.8.2011)



Queridos irmãos e irmãs!

Ao longo deste período, evoquei várias vezes a necessidade de que cada cristão encontre tempo para Deus, para a oração, no meio das numerosas ocupações dos nossos dias. O próprio Senhor oferece-nos muitas oportunidades para nos recordarmos d’Ele. Hoje, gostaria de debruçar-me brevemente sobre um desses canais que nos podem conduzir a Deus e servir também de ajuda no encontro com Ele: é o caminho das expressões artísticas, que faz parte daquela «via pulchritudinis» (caminho da beleza) − da qual já falei diversas vezes e que o homem de hoje deveria recuperar no seu significado mais profundo.
Talvez vos tenha acontecido algumas vezes, diante de uma escultura, de um quadro, de certos versos de uma poesia ou de uma peça musical, sentir uma emoção íntima, uma sensação de alegria, ou seja, perceber claramente que diante de vós não havia apenas matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, mas algo maior, algo que «fala», capaz de tocar o coração, de comunicar uma mensagem, de elevar a alma. Uma obra de arte é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, procura descobrir o seu sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem das formas, das cores, dos sons. A arte é capaz de exprimir e de tornar visível a necessidade que o homem tem de ir para além daquilo que se vê, pois manifesta a sede e a busca do infinito. Mais, é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e uma verdade que vão mais além da vida quotidiana. E uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, impelindo-nos rumo ao alto.

Mas há expressões artísticas que são verdadeiras estradas que levam a Deus, à Beleza suprema; mais, são uma ajuda para crescer na relação com Ele, na oração. Trata-se das obras que nascem da fé e que exprimem a fé. Podemos ter um exemplo quando visitamos uma catedral gótica: sentimo-nos arrebatados pelas linhas verticais que se perfilam rumo ao céu e atraem para o alto o nosso olhar e o nosso espírito enquanto, ao mesmo tempo, nos sentimos pequenos, antes, desejosos de plenitude... Ou então quando entramos numa igreja românica: somos convidados de modo espontâneo ao recolhimento e à oração. Apercebemo-nos de que, nestes edifícios esplêndidos, está como que encerrada a fé de gerações. Também, quando ouvimos uma peça de música sacra que faz vibrar as cordas do nosso coração, a nossa alma é como que dilatada e ajudada a dirigir-se a Deus. Vem-me ao pensamento um concerto de músicas de Johann Sebastian Bach, em Munique da Baviera, dirigido por Leonard Bernstein. No final da última peça, uma das Cantatas, senti, não por raciocínio mas no profundo do coração, que aquilo que eu ouvira me tinha transmitido a verdade, a verdade do sumo compositor, impelindo-me a agradecer a Deus. Ao meu lado estava o bispo luterano de Munique e, espontaneamente, disse-lhe: «Ouvindo isto, compreende-se: é verdadeiro; é verdadeira a fé tão forte, e a beleza que exprime de maneira irresistível a presença da verdade de Deus».

Mas quantas vezes quadros ou afrescos, fruto da fé do artista, nas suas formas, nas suas cores, na sua luz, nos impelem a dirigir o pensamento para Deus e fazem crescer em nós o desejo de beber na fonte de toda a beleza. Permanece profundamente verdadeiro o que escreveu um grande artista, Marc Chagall: que durante séculos os pintores molharam o seu pincel naquele alfabeto colorido que é a Bíblia. Então, quantas vezes as expressões artísticas podem ser ocasiões para nos recordarmos de Deus, para nos ajudarem na nossa oração ou também na conversão do coração! Paul Claudel, famoso poeta, dramaturgo e diplomata francês, na Basílica de Notre Dame em Paris, em 1886, precisamente ouvindo o canto do Magnificat durante a Missa de Natal, sentiu a presença de Deus. Não tinha entrado na igreja por motivos de fé, tinha entrado precisamente para procurar argumentos contra os cristãos, e, pelo contrário, a graça de Deus actuou no seu coração.

Queridos amigos, convido-vos a redescobrir a importância deste caminho também para a oração, para a nossa relação viva com Deus. As cidades e os países de todo o mundo encerram tesouros de arte que exprimem a fé e nos exortam à relação com Deus. Ora, a visita aos lugares de arte não seja apenas uma ocasião de enriquecimento cultural − também isto −, mas possa tornar-se sobretudo um momento de graça, de estímulo para reforçar o nosso vínculo e o nosso diálogo com o Senhor, para nos determos a contemplar − na passagem da simples realidade exterior para a realidade mais profunda que exprime − o raio de beleza que nos atinge, que quase nos «fere» no íntimo e nos convida a elevarmo-nos rumo a Deus.

Termino com a oração de um Salmo, o Salmo 27: «Uma só coisa pedi ao Senhor, e desejo-a ardentemente: poder habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, contemplando a beleza do Senhor e orando no seu templo» (v. 4). Esperemos que o Senhor nos ajude a contemplar a sua beleza, tanto na Natureza como nas obras de arte, de modo a sermos tocados pela luz da sua face, a fim de que também nós possamos ser luz para o nosso próximo. Obrigado!



_____
1. Os dados relativos ao estudo citado constam de artigo publicado pela agência Gaudium Press'Estudo ratifica importância de templos belos em conversões individuais', disp. em:
http://www.gaudiumpress.org/content/88469#ixzz4nTKFB6Nx
Acesso 21.7.017

______
Fontes e ref.:

DIAS, Jurandir. 'Por que a beleza importa?', disp. em:
https://ipco.org.br/ipco/53582-2/#.WXIO9NTyuCh

Acesso 21.7.017
ASSEMBLEIA PLENÁRIA DOS BISPOS. Via Pulchritudinis, O Caminho da Beleza, São Paulo: Loyola, 2007.
www.ofielcatolico.com.br

Igrejas feias fazem mal para a alma – a importância da beleza estética na Liturgia para a evangelização


O jovem 'youtuber' Brian Holdsworth
ASSIM COMO ACONTECE com a Verdade, a Beleza também não é relativa. Está aí um assunto que quase inevitavelmente provocará polêmica nos ambientes modernos, já que os ouvidos dos nossos tempos, profundamente doutrinados na ideologia socialista, não admitem desigualdade de espécie alguma – ainda que as desigualdades inegavelmente existam e sejam mais do que evidentes.

É preciso um altíssimo grau de cegueira voluntária para negar que, neste mundo, existem coisas bonitas e coisas feias – incluindo pessoas. Ora, não estamos aqui falando do caráter e nem da dignidade de ninguém. Uma pessoa muito boa pode ser muito feia, e todos sabemos que isso acontece muito, talvez até porque as pessoas desprovidas de beleza estética estejam livres de certas tentações, como por exemplo a da vaidade.

S. João Maria Vianney que o diga, ou será que, olhando as fotos do santo Cura d'Ars, alguém ousaria dizer que ele foi um modelo de beleza física? Claro que a santidade de alguém e/ou o amor que nutrimos por essa pessoa pode torná-la bela de um modo muito especial, e de fato muito mais elevado que o da mera aparência física; a visão de alguém que amamos, independente da estética, é sempre agradável aos olhos e, via de regra, alguém que é bom para todos parece sempre formoso(a) diante de todos.


Mas estamos tratando aqui de um assunto muitíssimo mais profundo. Falamos da importância e da função real da beleza para a evangelização Há alguns anos, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, declarou que "A beleza é um caminho privilegiado para a evangelização” (fonte). Além disso, um fato pouco conhecido (porque pouco divulgado) é que existem estudos e testemunhos de conversões que compravam a eficácia da arte sacra na evangelização.

Um estudo recentemente divulgado pelo jornal inglês "The Telegraph"[1] avaliou a participação dos jovens nas práticas religiosas e identificou um elemento que surpreendeu a muitos: a grande eficácia da arquitetura sacra para inspirar conversões. O estudo sugere que os novos métodos, nos quais vem investindo com prioridade a Igreja, como por exemplo os grupos de jovens, são menos efetivos do que a prática das orações tradicionais e a simples visita a um belo templo, liturgicamente construído e ornamentado. 

As conclusões da pesquisa classificaram o contato com um templo harmonioso e bem acabado numa posição mais alta de eficácia do que a participação em um grupo de oração, os eventos que promovem o diálogo ecumênico e diversas outras frentes as quais a hierarquia da Igreja vem priorizando nos últimos tempos. Nos chamados "shows de evangelização" e megaeventos com artistas católicos, por exemplo, ocorre uma grande afluência de jovens, mas não necessariamente a evangelização propriamente dita. A mocidade vai cantar, dançar, interagir, viver uma aventura diferente, mas... O que aprendem? Que tipo de catequese recebem ali? Poderíamos realmente afirmar que nesses locais ocorrem autênticas experiências religiosas? Em que nível?

Já os números da pesquisa inglesa concordam com a tradição católica da arquitetura sacra, e reafirmam o seu potente valor catequético. Comentando sobre a beleza do templo da Universidade de Sto. Tomás de Aquino, nos EUA, o arquiteto Kevin Clark citou à publicação "Adoremus": "É surpreendente ver católicos e não católicos participarem na beleza física do edifício. Essa beleza (do templo) é parte da sua conversão, e isso é algo intrigante".

As igrejas antigas (pré-conciliares) continham em sua própria estrutura tinham um mistério, uma atmosfera de reverência ao sagrado que desapareceu nas construções modernas. O edifício em forma de Cruz, a abóbada, a acústica, as paredes decoradas com imagens das vidas dos santos, o acabamento repleto de simbologia sagrada, os elementos litúrgicos, a luz das velas, o aroma do incenso, os vitrais... Era difícil entrar em um templo bem cuidado e não se sentir pré-disposto à oração; tudo levava a uma reverência pelo Divino. Parece inegável que essa curiosidade e essa atração estética inicial atrai os jovens e os prepara a um contato mais profundo com a mensagem cristã católica.

Lamentavelmente, pouco sobrou de toda essa atmosfera que remetia à adoração de Deus nos caixotões pós-conciliares, que se parecem bem mais com galpões, tendo ao centro um mero palco e não mais o Altar do Sacrifício, e o Sacrário –, que deveria ser o centro de tudo –, relegado a um canto.

"Os estudantes têm sede de beleza, e os estudos recentes apontam que a beleza é uma das razões mais significativas pelas quais pessoas chegam à fé católica e permanecem nela", afirmou o documento de apresentação do projeto de construção da capelada da Universidade de St. Paul, em Madison, EUA. "A edificação necessita ser grande, bela e suficientemente visível para que os estudantes a notem". A instituição deseja substituir a edificação em estilo moderno atual, em parte, porque os estudantes não a reconhecem como templo; assim se evidenciará a importância de enfatizar claramente a sua identidade cristã católica.

Que a "Via da Beleza" continua sendo um passo prévio, que requer ser seguido por um encontro autêntico com Deus, sua implementação contribui de forma notável à Evangelização, como reconhece o Pontifício Conselho para a Cultura no documento "A Via Pulchritudinis": "A capacidade comunicativa da arte sacra se mostra capaz de romper barreiras, filtrar os prejuízos e tocar o coração das pessoas de diferentes culturas e religiões, permitindo-lhes perceber a universalidade da mensagem de Cristo e seu Evangelho".
http://www.ofielcatolico.com.br/2007/07/igrejas-feias-fazem-mal-pra-alma.html

LITURGIA COMO CELEBRAÇÃO


O Catecismo da Igreja Católica apresenta a Liturgia como Celebração do mistério cristão, celebração do mistério pascal. Coloca, portanto, a Liturgia na dimensão da celebração. Assim, para compreendermos bem o que é a Liturgia cristã e vivê-la sempre mais intensamente, convém refletir sobre o que é celebração e os elementos que constituem uma celebração. 

Em consequência dessa compreensão, segue uma palavra sobre a celebração cristã, a Sagrada Liturgia. 
1. O que é celebração Celebrar é tornar célebre. Tornar célebre é tornar famoso, conhecido, é tornar presente. O que torna uma pessoa célebre, famosa, são as suas obras, os seus feitos. Para reconhecer a celebridade de uma pessoa, procura-se lembrar o que ela foi e o que ele fez; lembram-se, narram-se suas obras. Esta narração das obras torna a pessoa novamente presente.
 2. Os elementos de uma celebração Tomemos como exemplo a celebração do primeiro aninho de uma criança numa festa em família. Analisemos os vários elementos da celebração. O fato valorizado: - O primeiro elemento para a celebração ou comemoração é o fato de a criança ter nascido. Este fato deve ser um fato valorizado, caso contrário, não se celebra, mas procura-se esquecer. Este fato pode ser chamado também de páscoa, uma passagem. A expressão significativa do fato ou o rito: – Para lembrar o fato valorizado, a comunidade reunida o expressa através de uma linguagem simbólica. É o rito. No caso do primeiro aniversário da criança, temos antes de tudo, as pessoas presentes que valorizam o fato, a vida da criança; depois, a sala, a mesa, o bolo, a velinha acesa, o canto de parabéns. Mas fazer memória, celebrar é uma ação. Tudo preparado, a criança à mesa diante do bolo, os presentes cantam os parabéns, a criança apaga a velinha, pois ela é a luz que ilumina a todos, corta-se o bolo, partilha-se o bolo, símbolo de vida, de felicidade, de partilha, de solidariedade. É a festa da vida que veio à luz e perdura já um ano. A intercomunhão solidária ou o mistério vivido: - O que realmente importa em toda a celebração é o invisível, o sentido que aparece por detrás da ação simbólica ou do ritual: a intercomunhão solidária, a comunhão de todos em solidariedade com a criança. Esta realidade contida e revelada através do rito simbólico da vida da criança podemos chamá-la de mistério. Em toda celebração temos, portanto, o fato valorizado ou a páscoa-fato, e expressão significativa do fato valorizado, o rito, e a vivência do mistério ou a intercomunhão solidária. 
3. A celebração cristã Na celebração cristã ou na Liturgia, o fato valorizado ou a páscoa-fato é o mistério pascal de Cristo, centrado na sua Paixão, Morte e Ressurreição. Em outras palavras é a Obra da Salvação em Cristo Jesus, desde o mistério da Encarnação até o seu retorno glorioso. A expressão significativa ou o rito são as diversas celebrações da Igreja que comemoram a Páscoa de Cristo e dos cristãos, o mistério pascal, como os sacramentos, no centro a Eucaristia, o Ano Litúrgico, a Liturgia das Horas, o Domingo, a festa pascal semanal. A intercomunhão solidária ou o mistério é aquela comunhão de amor e de vida entre Deus e o homem, que acontece na ação comemorativa da Obra da Salvação de Cristo, que assim se torna atual e presente na vida da Igreja e da humanidade. É Cristo que continua a encarnar-se, a morrer e ressuscitar-nos que nele creem e o acolhem como Senhor e Salvador da humanidade. Eis a celebração cristã, eis a liturgia, à luz do conceito de celebração. 

Frei Alberto Beckhäuser, OFM

20/07/2017

Liturgia é Igual a ritos?



Se considerássemos a Liturgia simplesmente como um conjunto de ritos estaríamos muito errados e cairíamos num estéril ritualismo já condenado por Jesus Cristo, que pede um culto espiritual a Deus no Espírito e na verdade. 
O rito constitui um aspecto da Liturgia da Igreja. É um elemento constitutivo da Liturgia, mas não é a Sagrada Liturgia. A Sagrada Liturgia nos supera infinitamente. Ela constitui um dom de Deus dado aos através de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo. É obra da Santíssima Trindade. Assim, não nos compete apossar-nos da Liturgia, mas deixar-nos possuir por ela. Não nos compete conduzir a Sagrada Liturgia, mas deixar-nos conduzir por ela. Antes de nós servirmos a Deus, Deus serviu aos seres humanos. Liturgia significa ação em favor do povo, em favor da comunidade. A Liturgia divina é, primeiramente, o serviço que Deus presta a si mesmo, no mistério da Santíssima Trindade. Depois, o serviço que Deus prestou à humanidade, dando-nos o seu Filho Jesus Cristo, que por sua morte e ressurreição prestou o serviço de glorificação ao Pai e o serviço de salvação e santificação à humanidade. A este serviço de salvação de Jesus, a Igreja chama de mistério pascal. Diz o Concílio Vaticano II: “Esta obra da Redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, da qual foram prelúdio as maravilhas divinas operadas no povo do Antigo Testamento, completou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal de sua sagrada Paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa Ascensão. Por este mistério, Cristo, ‘morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, recuperou a nossa vida’. Pois do lado de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja” (SC 5). 
Em seguida, o Concílio ensina como esta obra da Redenção e da perfeita glorificação de Deus chega até nós, como podemos participar dela: “Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregarem o Evangelho a toda criatura, anunciarem que o Filho de Deus, pela sua morte e ressurreição, nos libertou do poder de Satanás e da morte e nos transferiu para o reino do Pai, mas ainda para levarem a efeito o que anunciavam: a obra da salvação através do Sacrifício e dos Sacramentos, em torno dos quais gira toda a vida litúrgica” (SC 6). 
A Igreja tem a missão não só de anunciar a salvação, o mistério pascal, mas de realizá-lo. Para isso, Cristo Jesus continua presente e atuante na Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas (cf. SC 7). “A Liturgia é tida como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, no qual, mediante sinais sensíveis, é significada e, de modo peculiar a cada sinal realizada a santificação do homem; e é exercido o culto público integral pelo Corpo Místico de Cristo, Cabeça e membros” (SC 7). 
A Liturgia celebrada é a obra da salvação e do culto de Cristo prestado ao Pai tornada presente e atual através de sinais sensíveis e significativos da própria ação sacerdotal de Cristo. Estes sinais sensíveis e significativos da ação salvadora e do verdadeiro culto prestado por Cristo ao Pai, formam os ritos. Os ritos são, pois, a expressão significativa da obra da salvação e da glorificação da qual os que celebram participam. Jesus agiu uma vez para sempre. Esta ação de Jesus torna-se presente para os que Nele creem e se deixam atingir pela ação de salvadora de Jesus. É isto a Liturgia celebrada.

http://universovozes.com.br/editoravozes/web/view/BlogDaCatequese/wp-content/uploads/2017/03/Liturgia-igual-ritos.pdf